sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Bioética ativista: morrer de morte é padecer no inferno da imoralidade social

 Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)        

 
*Artigo de 
Marcos Aurélio Trindade, Keller Reis Figueiredo e André Luiz Boccato de Almeida


‘O mundo tem presenciado todo momento as catástrofes sociais que dilaceram a humanidade, julgada pela ação imoral humana e pelo desrespeito a vida. Sabemos que em momentos tristes da vida, vêm os empecilhos, como o aborto, a política em descaso, a desigualdade entre profissionais da saúde, elitização médica, a desvalorização do SUS, a economia concentrada para ricos, o padecimento do pobre devido a um liberalismo que mata. Todas essas questões profundas e difíceis de serem resolvidas não podem passar despercebidas. O que podemos aprender com isso? Quais formas possíveis podemos buscar para sanar esses problemas?  Que tipo de morte seria essa, atrelada à imoralidade na sociedade?

Intencionadas pela nossa consciência e a forma de como vivemos o mundo. Todas essas problemáticas supracitadas elucidam a importância da leitura de mundo e a interpretação de mundo. Deste modo é importante ressaltar o papel da consciência crítica para a transformação social. Sendo assim, ou a partir daí, que compreendemos a ética da vida e seu ativismo crítico. As origens históricas do opressor versus oprimido não são nada satisfatórias no relógio do tempo, pois a história vai se repetindo.

Ainda respondendo essas perguntas, sabemos, de modo peculiar, que o aborto não é nada benéfico e nem aceitável, pois defendemos a vida e sua dignidade a todo custo. Mas julgar uma criança por ter cometido aborto porque foi brutalmente violentada por um psicopata é inaceitável. É mais desumano ainda da parte do farisaísmo religioso. A concentração de renda gera pobreza, sem sombras de dúvidas, e a má distribuição de renda é tão galopante que aterroriza o vulnerável na forma mais desprezível da prática individual humana.

É nessa pesquisa que a intenção de expor a saúde e seu sucateamento, consuma para uma reflexão mais rigorosa ainda. A elitização médica, os altos custos de escolas dessa profissão, o enaltecimento que a sociedade intitula esses profissionais como ‘doutordeuses’, a disparidade de salários  dos outros profissionais de saúde e também da educação, a negociação governamental de manter uma má distribuição no SUS são gravíssimos e uma forma de manter a mistanásia na realidade do Brasil. O que seria a mistanásia? É um termo utilizado na bioética para significar a morte miserável e sua dimensão na saúde pública eclodida pela política do descaso.

Há muito tempo santo Agostinho de Hipona definiu a existência de duas mortes conforme explicita o título, a primeira física e a segunda a da alma. Esta última trata-se da proposta não vinculativa e relacional com Deus e suas virtudes, aclarada assim como morte de morte. Dando continuidade nesse texto, como enxergamos essa morte na sociedade? São justamente essas ações humanas refletidas anteriormente que não estão em conformidade com a proposta da coletividade e solidariedade pautada para o sumo bem. Torna-se óbvio essa imoralidade social como forma expressiva ressaltar que a corrupção é sempre ação consciente dos governos e o fanatismo religioso conservador próprio de pessoas que têm dificuldade em aceitar a verdade.

Morrer de morte é padecer no inferno da imoralidade social, pode parecer apenas um jogo de palavras, mas está encarnada na sociedade brasileira, onde constatamos todos os dias as mazelas da saúde pública brasileira. São os doentes que não são atendidos, entretanto quando conseguem algum atendimento são mal tratados, largados nos corredores de clínicas e hospitais, onde sofrem a morte do desrespeito e do descaso do governo brasileiro. Como podemos mudar esta cruel realidade que faz parte da vida do brasileiro de baixa renda? Esta é a resposta que cabe a sociedade brasileira responder ou continuar omissa e permitir que a imoralidade social permaneça.’

 

Fonte : *Artigo na íntegra https://domtotal.com/noticia/1471964/2020/09/bioetica-ativista-morrer-de-morte-e-padecer-no-inferno-da-imoralidade-social/

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