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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Mediocridade e mérito


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
  
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*Artigo de Dom Walmor Oliveira de Azevedo,
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, MG


‘Apenas um nome não basta. Uma lista diminuta de referências também é insuficiente. A sociedade precisa de líderes. É preciso evitar perspectivas centralizadoras que remetem ao antigo coronelismo ou à ilusão de que determinada pessoa é insubstituível. Ao invés disso, o que se espera é que surjam muitos novos líderes capacitados para gerenciar projetos e tornar realidade os sonhos do povo, em seus diferentes âmbitos – religioso, cultural, econômico e político. Pessoas qualificadas para atuarem não apenas na esfera global ou nacional, mas também gente que se dedique a trabalhos nos contextos mais locais – nas cidades, nos bairros e nas ruas.

Sem novos líderes as instituições permanecem sacrificadas, pois se tornam reféns de pessoas que exercem suas responsabilidades aprisionadas na mediocridade. Oportuno lembrar que uma instituição depende dos exercícios de liderança para renovar-se e conseguir ajustar-se às necessidades contemporâneas. Mais uma vez, é importante ressaltar: isso não significa depositar toda a esperança em um nome. Ao contrário, espera-se a articulação de diferentes líderes que se dediquem, permanentemente, à qualificação de seus desempenhos e instituições.

Essa realidade torna-se distante quando pessoas buscam organizações estatais, religiosas, privadas e tantas outras apenas para ocupar um lugar que garanta comodidades e benesses. Com frequência, muitos almejam ser pouco exigidos em suas atribuições. Realizam-se, assim, com os resultados pífios de suas próprias atuações. A sociedade, consequentemente, vai se moldando a uma dinâmica cultural em que se aceitam as barganhas para conquistar apenas benefícios pessoais. Em segundo plano, ficam a inventividade e a coragem audaciosa para agir de modo proativo, protagonizando processos de mudança.

A carência de pessoas comprometidas com a promoção do bem comum é consequência da falta de uma consistente formação humanística, que capacite os indivíduos a orientarem suas ações a partir de princípios éticos. Sem qualificada formação humana, corre-se sempre o risco de se deixar conduzir por princípios duvidosos e se envolver na corrupção. Assim, a ausência de uma formação humanística consistente leva as pessoas a uma estreita visão de mundo, contentando-se em alcançar certa comodidade, mesmo que isso signifique agir com mesquinhez ou indiferença.

Desse modo, consolidam-se as mediocridades, tornando comum nas instituições a presença de pessoas incapazes de oferecer soluções para os mais diferentes problemas. Passam a se destacar aqueles que se contentam com a mediocridade, em vez de serem valorizados os méritos, prevalecendo a acomodação. As pessoas ocupam-se mais com a tarefa de esconder as próprias fragilidades, de conservar as vantagens, esquecendo-se dos trabalhos capazes de promover o bem. Uma situação que inviabiliza o surgimento de líderes, perpetua atrasos, alimenta mediocridades e se agrava com a ausência de autocrítica.

É importante ressaltar : quem é medíocre não consegue, muitas vezes, perceber as próprias limitações. Candidata-se a cargos estratégicos, com grandes responsabilidades sem a real condição de exercê-los.  Atua de modo bem diferente, se comparado aos que, de fato, possuem capacidade. As pessoas verdadeiramente qualificadas são hábeis no exercício da autocrítica, qualidade imprescindível para conduzir os líderes à inovação e às intuições criativas. O desafio é, precisamente, identificar pessoas competentes, que reconhecem a necessidade de se buscar o bem comum e a paz social.

Nesse caminho, há de se vencer apatias, pois ninguém pode se dar por satisfeito ao fazer o mínimo. As instituições precisam de novos líderes para se renovar. E os contextos institucionais, por sua vez, necessitam de novas dinâmicas, com a superação de práticas obsoletas, para favorecerem o surgimento de pessoas capazes de exercer a liderança. Entre as dinâmicas institucionais a serem superadas, estão as que acirram disputas internas e que contribuem para a propagação de maledicências, consolidando ambientes propícios à mediocridade.

O desafio de desarticular o habitual jeito medíocre de agir, que contamina diferentes lugares, é grande. Superá-lo exige de cada pessoa que se reconheça como agente de transformação, capaz de impulsionar avanços. Mas esse processo requer que todos se dediquem à autocrítica, ao compromisso de se fazer escolhas bem fundamentadas. Que ajam com coragem e audaciosamente no exercício das próprias responsabilidades, especialmente em contextos organizacionais. Assim, não serão favorecidos aqueles que buscam ocultar a própria mediocridade para se tornarem líderes de um grupo, ou mesmo de um povo. É urgente substituir a mediocridade pelo mérito, um movimento  inteligente e inovador, dedicado à vida, à paz e à justiça.’


Fonte :

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Recuperar as instituições

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo de Dom Walmor Oliveira de Azevedo,
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, MG


‘É grave o processo de sucateamento das instituições. Isso porque os funcionamentos institucionais, frequentemente, são obsoletos e não conseguem promover o bem da coletividade.  Essa realidade traz resultados nefastos para cada instituição – sejam elas governamentais, educacionais, religiosas ou familiares, além de prejuízos para toda a sociedade. Os investimentos para se adequar processos são insuficientes e, consequentemente, os resultados são pífios na prestação de serviços. Um mal terrível que envolve variadas instituições, inclusive as que têm seu balizamento maior na experiência da fé.

A sociedade pede mais consistência por parte das organizações, que precisam cumprir bem sua tarefa : assumir a responsabilidade de cooperar para a transformação de uma sociedade carente de novos impulsos e inovações. É preciso deixar de insistir em práticas de tempos que já se foram. Muitas ações que são próprias do passado já não têm força para interagir com as demandas do mundo contemporâneo. Consequentemente, não conseguem interferir positivamente na realidade. Mas ainda assim, permanecem os gastos - com recursos financeiros e também humanos - direcionados a esses funcionamentos inadequados. As pessoas ficam submersas na mediocridade de escolhas e de encaminhamentos. Conviver com a pequenez naquilo que se faz, por não se engajar nos processos de mudanças, torna-se normal. Isso trava criatividades e amordaça muitos na condição de não conseguir contribuir. Cria-se facilmente o vício de se fazer das configurações institucionais, nos seus funcionamentos, simplesmente um amparo para quem se satisfaz com a oportunidade de ter um ‘lugar ao sol’. Ora, esse fenômeno é a contramão das dinâmicas modernas e inevitáveis das inovações.

Inovar é uma exigência e deveria ser a meta, mas os agentes da inovação – as pessoas que integram as instituições – se satisfazem com a conquista de uma zona de conforto que mata gestos de altruísmo, impedindo o ser humano de ser participe na criação e recriação. Compreende-se, assim, porque a ocupação de cargos não é garantia para uma atuação proativa e com força de transformação. O marasmo no interior das instituições envolve como uma nuvem a preciosidade de cada pessoa. O resultado nefasto é o cumprimento de mandatos ou tempo de serviço com opacidade.

Percebe-se que a dimensão pessoal sucateia a instituição. Mas, também a dimensão institucional pode prejudicar as pessoas, enjaulando-as, inclusive as que têm grande potencial. Sem conseguir mostrar a própria capacidade, elas permanecem na linha mediana de atuação.  Por isso, cada pessoa precisa assumir o compromisso de lançar um olhar sobre a instituição na qual se insere, buscando saídas para a terrível fragilização das organizações. Essa fragilização é fundamentada na incompetência que afeta modos de agir e nos desvios ético-morais que, inclusive, levam agentes a usufruírem, de modo desonesto, de recursos institucionais, conduzindo velozmente as organizações, na qual trabalham, rumo a precipícios.

O fato mais comum é, consciente ou inconscientemente, tender a escolhas que levem a colocar responsabilidades e intervenções nas mãos de quem não as operará adequadamente. Certamente, trata-se de mecanismo de defesa que perpetua a mediocridade que, infelizmente, incomoda menos. O que incomoda mais é o desafio de desinstalar-se da ‘zona de conforto’ para responder às exigências e às demandas do dia a dia, às necessidades de qualificação permanente do tecido institucional. Esse tecido, quando fortalecido, pode alavancar mudanças que levem às soluções adequadas para o tempo atual.  Assim, em gesto de humildade e batendo penitencialmente no peito, cada pessoa precisa cultivar uma consciência cidadã e não apenas ocupar postos que representem, somente, oportunidade de promoção pessoal. Todos devem assumir a responsabilidade para ajudar a encontrar novas respostas, com trabalho produtivo. Esse é um indispensável caminho no combate à mediocridade, no enfrentamento das demagogias e na coragem de avaliar, sinceramente, o que se está fazendo, para encontrar os caminhos da inovação e recuperar as instituições.’


Fonte :