Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)
‘Com o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor,
inicia-se a Semana Maior. Nela, somos convidados a adentrar profundamente no
mistério da Redenção, assim como Jesus entrou em Jerusalém. É fundamental
recordar que a Quaresma ainda não se findou; por isso, o espírito de penitência
permanece presente, manifestado liturgicamente pela cor roxa e pelo silêncio
meditativo.
Os três dias que antecedem o Tríduo Pascal não
constituem um mero intervalo, mas um período de ascese e preparação.
Historicamente, esses eram os momentos finais de purificação dos catecúmenos
que seriam batizados na Vigília Pascal. Ao rememorarmos essa tradição, somos
impelidos a buscar práticas que nos tornem mais puros, preparando nosso ‘traje
de festa’, a veste batismal da alma, para a grande Solenidade das solenidades.
Em muitas comunidades, o povo fiel cultiva devoções
que enriquecem a compreensão dos mistérios da salvação. Destaco aqui algumas
das mais significativas.
O Terço ou Coroa das sete dores de Nossa Senhora
Esta prática conduz-nos à meditação desde a
profecia de Simeão até o sepultamento de Cristo que muito fez doer o coração de
Nossa Senhora. A Virgem Maria esteve presente de modo único junto à Cruz. Por
isso, unir-se às suas dores é o caminho mais curto para consolar o coração de
Cristo.
A procissão do encontro
Uma das expressões mais belas da religiosidade
popular luso-brasileira. Geralmente, a imagem do Senhor dos Passos (Jesus
carregando a cruz) e a de Nossa Senhora das Dores partem de lugares distintos
para se encontrarem em um ponto central. Tradicionalmente, os homens acompanham
o Senhor dos Passos e as mulheres seguem a Virgem. Esse rito rememora o
doloroso encontro entre Mãe e Filho na Via dDolorosa, movendo os fiéis à
contrição.
Sermão das Sete Palavras
Trata-se de uma profunda meditação sobre a agonia
de Cristo através das sete últimas expressões ditas por Ele na Cruz. É uma
síntese harmônica dos quatro Evangelhos que revela o testamento de amor e
misericórdia do Redentor.
O Ofício das Trevas (Tenebrae)
Uma das cerimônias mais impressionantes e psicologicamente
densas da tradição cristã. Durante o canto dos salmos, as velas do candelabro
são apagadas uma a uma, simbolizando o abandono sofrido por Jesus. O uso das
matracas ao final, o chamado Strepitus, evoca o terremoto e a
desolação da natureza diante da morte do seu redentor. A última vela, que
permanece acesa, mas é momentaneamente escondida, representa a divindade de
Cristo que, embora oculta na morte, jamais se apaga.
Outras práticas
Além dessas práticas, o fiel dispõe da Via Sacra,
do rosário, das meditações espirituais dos santos, das orações e de tantas
outras. O essencial é não perder de vista o sentido destes dias: cada exercício
espiritual deve ser um tijolo no edifício espiritual que estamos construindo,
permitindo-nos participar do mistério pascal com renovado fervor. Procedendo
assim, seremos capazes de tocar a totalidade deste mistério que nos salva.’
Fonte : *Artigo na íntegra
https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2026-03/portico-paixao-devocoes-inicio-semana-santa0.html