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domingo, 20 de agosto de 2017

O mundo em contorções

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

As Cruzadas em terras do Oriente Médio, há muito foram sepultadas, contudo ergueram-se das trevas os exércitos do Estado Islâmico.
*Artigo de Evaldo D´Assumpção,
médico e escritor


‘Mais uma vez me faço a antiquíssima pergunta : ‘o que veio primeiro : o ovo ou a galinha?’ Explicando : o mundo está em dolorosas e assustadoras contorções, ou são apenas os noticiários que se multiplicam numa escala geométrica, desnudando assustadoramente essa condição que sempre existiu, mas estava semioculta pela insuficiência dos meios de divulgação? Ou, quem sabe, o que existia era bem menos e menor do que assistimos agora, e por isso não nos causava preocupações como hoje?

Vejamos : a política internacional estava aparentemente calma, os Estados Unidos e Cuba pareciam começar a se entender e a andar de mãos dadas, e de repente os americanos do norte cometeram o desatino de colocar na presidência um excêntrico multimilionário que nunca exerceu um cargo público. E, dizem as más línguas, com a ajuda do serviço secreto soviético. Com isso a relação com Cuba foi para o espaço, mesmo sendo este país um forte aliado dos russos. Dá para entender? Para complicar, a Coreia do Norte, liderada por um estranho e irritadiço filhote de papai, ameaça soltar atômicos fogos de artifício sobre as cabeças de japoneses, coreanos do sul, com sobra suficiente para os americanos do norte. Como Cuba e Coreia do Norte são aliados dos chineses e russos, o mundo fica sob a ameaça de destruição total. E mais : por quatro vezes e meia seguidas! Afinal essa é a possibilidade que eles alardeiam, com base no tamanho do arsenal nuclear que possuem. Pergunto : não bastaria destruí-lo todinho, uma vez só? Como, e para prenunciar a impossível reprise do apocalipse nuclear por tantas vezes?

As Cruzadas em terras do Oriente Médio, há muito foram sepultadas, contudo ergueram-se das trevas os exércitos do Estado Islâmico e as maiores barbáries explodiram nas TVs, nos jornais, nas redes sociais. Seus tentáculos se espalham pelo mundo, destroçando prédios, mutilando pessoas, usando corpos fragmentados de adultos e crianças para, em nome de um deus só existente em mentes doentias, tentar impor suas ideias – se é que as têm.

Deixando o noticiário internacional, volto meu olhar estarrecido para a outrora gentil pátria brasileira. Assisto então, com engulhos, o desfile de insanidades pela mídia noticiosa nacional, com escandalosa repercussão internacional. São revoltas nas penitenciárias, com detentos massacrando, decapitando, adubando com sangue o terreno que irá parir novas e maiores violências; as cracolândias nas médias e grandes cidades, onde verdadeiros zumbis desfilam dia e noite sua desgraça e sua rejeição social; a estupidez dos assaltos a mão armada contra pessoas indefesas, que são agredidas e até assassinadas por terem ousado carregar ‘apenas’ um celular obsoleto ou ter seus bolsos vazios, mesmo sendo isso a consequência do desemprego que castiga milhões de brasileiros. Estupros, patri e matricídios, toda essa indigesta e sanguinolenta salada enriquece matérias jornalísticas e bandeiras eleitorais nunca cumpridas.

Disputando o espaço midiático, talvez para contrabalançar as notícias catastróficas, desfilam pelas colunas sociais mulheres ricamente adornadas, homens sorridentes falando dos novos carros de super luxo, de seus helicópteros e jatinhos executivos, que lhes permitem ficar muito acima e bem mais distantes do comum dos mortais. E o que dizer dos rapazes e moças nessas mesmas colunas – certamente custeados pelos orgulhosos papais – exibindo as caríssimas roupas de grife, muitas delas verdadeiramente ridículas?

Lembrei-me do saudoso Millor Fernandes, que sob o pseudônimo de Vão Gogo pontificou, em formatação atualizada : ‘Quando a gente começa a pensar que os humanos ficaram inteligentes, vem um modista e estraga tudo…’ Quase todos absolutamente alienados do lado obscuro de nosso país, onde falta habitação, comida e roupas descentes, e sobretudo empregos com salários suficientes para proporcionar sobrevivência digna. Parece até que são dois mundos distintos, cada um num sistema planetário totalmente isolado do outro. Para defende-los, alguns se dizem ‘otimistas’ e seguem rigorosamente a cartilha do famoso Joãozinho Trinta, falecido em 2011, e que defendia a riqueza dos carros alegóricos do carnaval carioca e paulista, filosofando : ‘Quem gosta de pobreza é intelectual’.

Discordo, pois quem tem cérebro pensante não gosta de pobreza, apenas a denuncia por não se deixar alienar pelas cores douradas dos três dias de carnaval. Afinal, sua consciência crítica lhe recorda sempre que tudo vai se acabar na quarta-feira de cinzas, exceto o desemprego, a fome e a miséria...

E para encerrar esse triste desfile, surgem em destaque os ilustres políticos, certos juristas e alguns empresários, antes unidos numa relação espúria, mas agora trocando acusações e delações premiadas. Os três grupos, com as calças nas mãos e saudosos de suas mansões, serviçais e limusines, jatinhos e helicópteros, tudo sendo trocado, por golpes do azar – ou será da justiça? – por cubículos gradeados, latrinas devassadas e banhos coletivos de água fria. Isso sem falar das cabeças raspadas – ou quase – recordando-os dos seus cabelereiros (ou melhor será dizer ‘coiffeurs’, para respeitar seus pedigrees?), quase sempre regiamente remunerados com as verbas públicas de representação oficial, ou através dos famigerados cartões corporativos, cujos gastos são secretos porque afirmam ser questão de segurança nacional. E ignorando os federais, os promotores e juízes que ainda teimam em ser honestos, muitos continuam insistindo em criar leis para enriquece-los ainda mais, defendendo a farra dos aumentos de seus já polpudos salários, tripudiando os desempregados e os funcionários com salários congelados e pagamento atrasado, muitos sobrevivendo da caridade alheia.

O mundo está em contorções, como a história diz que esteve no ocaso do império romano, nas corrompidas Sodoma, Gomorra, Pompéia, e tantos outros exemplos lapidares.’


Fonte :

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Igreja ajuda viuvas e órfãos vítimas da violência de Boko Haram na Nigéria

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Por detrás de cada número existem rostos que, aparentemente, reflectem uma certa paz, mas por dentro os seus corações continuam a carregar feridas abertas difíceis de cicatrizar.


‘Durante uma visita recente da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) à Diocese de Maiduguri, na Nigéria, o Bispo Oliver Doeme sublinhou os principais desafios que a sua diocese enfrenta, entre eles, a crise humanitária, falta de alimentos, carência de educação (escolas destruídas) e também aquilo que chama de uma crise espiritual, pois a maior parte dos habitantes da sua diocese estão fortemente traumatizados. O bispo explicou que a maioria das pessoas assassinadas pelo Boko Haram são homens, pelo que existem mais de 5.000 viúvas e 15.000 órfãos aos quais a diocese deve prestar apoio. A Fundação AIS acaba de aprovar uma ajuda de emergência de 70.000 € para ajudar estas vítimas do Boko Haram.

As milícias do Boko Haram chegaram à minha casa de manhã, muito cedo’, conta Esther em hausa, a sua língua local. ‘Começaram a roubar tudo e logo ordenaram ao meu marido que se convertesse ao Islão e porque recusou cortaram-lhe a cabeça diante dos meus olhos’. Da mesma forma, ‘dispararam na cara’ do marido de Rose por este não querer converter-se ao Islão.

A dor invade Agnes, de 40 anos e mãe de nove filhos, quando se lembra que não pode enterrar o seu querido marido. ‘O meu marido trabalhava nas obras e estava fora de casa quando os guerrilheiros do Boko Haram cercaram todos os que lá estavam presentes e mataram-nos a tiro. Os terroristas não permitem que os cadáveres sejam recolhidos e por isso não foi possível enterrá-lo e não foi celebrado o seu funeral. Deixaram que o corpo apodrecesse ali mesmo’. Quando acaba de falar, Agnes seca as lágrimas com o pano colorido do seu vestido tradicional.

Estas histórias são apenas alguns exemplos das milhares de experiências traumáticas que as mulheres nigerianas de Maiduguri tiveram que enfrentar nos últimos tempos. Catarina, Elena, Justina, Julieta, Hanna... são mais de 5.000. Por detrás de cada número existem rostos que, aparentemente, refletem uma certa paz, mas por dentro os seus corações continuam a carregar feridas abertas difíceis de cicatrizar. Para poder assistir a esta viúvas profundamente traumatizadas, uma parte da ajuda da Fundação AIS será destinada a sessões de cura de traumas.

As vítimas também recebem formação para aprender a cuidar das suas necessidades básicas, sobretudo agora que se encontram sozinhas. Antes dos ataques podiam contar com os salários dos seus maridos, mas depois da sua perda, a vida não voltou a ser igual. Muitas destas viúvas tem mais de seis filhos para alimentar e educar, e a maior parte delas não querem voltar a casar porque ainda sentem uma ligação emocional muito forte com os seus maridos assassinados em circunstâncias terríveis. Muitas delas continuam a chorar os maridos desaparecidos, pois os seus corpos nunca foram encontrados.

O Bispo Oliver criou a Associação das Viúvas de Santa Judit com o objetivo de adaptar melhor a ajuda recebida para as circunstâncias de cada uma destas mulheres.

Uma outra parte do projeto abrange as taxas escolares e a comida tanto para os órfãos de ambos os pais como para os que perderam apenas o pai. ‘Serão sobretudo as crianças que vivem na parte oriental da diocese que se beneficiarão mais destas ajudas, pois elas são as mais afetadas e as mais pobres’ acrescenta o Bispo Oliver.

A diocese católica de Maiduguri está situada no nordeste da Nigéria, uma região que deu origem ao grupo Boko Haram e por isso é também a zona mais afetada pelas suas atrocidades. Os estados de Borno, Yobe e Maiduguri estão no centro da atuação do grupo Boko Haram. A diocese abarca cerca de 80% deste território. Desde 2009, mais de 200 igrejas e capelas, casas paroquiais, 25 escolas, 3 hospitais, 3 conventos e inúmeras lojas, casas particulares e escritórios foram destruídos nesse território.

Segundo os dados recolhidos pela Fundação AIS na sua recente visita às zonas afetadas, o Boko Haram assassinou mais de 20.000 pessoas; 26 milhões de pessoas sofrem de forma direta com este conflito; 2,3 milhões de crianças e jovens viram-se privados de acesso a educação.’


Fonte :


domingo, 15 de janeiro de 2017

Artesãos da paz

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo de Bernardino Frutuoso,
Jornalista


‘A dramática guerra da Síria, com constante cobertura midiática, já faz parte do nosso quotidiano. O país sofre dilúvios contínuos de fogo como resultado dos bombardeamentos. A cifra dos mortos – sem ser exata – supera os 312 mil, os deslocamentos são em massa, os refugiados somam quase cinco milhões. A indiferença globalizada, o cinismo das superpotências, os interesses econômicos, o terrorismo, o tráfico e o negócio de armas – em 2016 as despesas militares no mundo aumentaram e alcançaram a cifra de 1570 mil milhões de dólares –, são algumas das razões que favorecem os conflitos armados no planeta : Sudão do Sul, República Centro-Africana, Iémen, Iraque... Neste contexto, a reflexão de Francisco – A não-violência : estilo de uma política para a Paz –, que o papa escreveu para o 50.º Dia Mundial da Paz, a celebrar a 1 de Janeiro, ecoa como voz esperançada e apresenta-se como um roteiro na construção da paz.

O mundo contemporâneo, sublinha o sociólogo Zygmunt Bauman, «não vive uma guerra orgânica, mas fragmentada. Guerras de interesses, por dinheiro, pelos recursos, para governar sobre as nações». Na mesma linha, o Santo Padre tem denunciado com veemência que vivemos uma «terrível guerra mundial aos bocados» : «guerras em diferentes países e continentes; terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevisíveis; os abusos sofridos pelos migrantes e as vítimas de tráfico humano; a devastação ambiental». O papa reafirma que «a violência não é o remédio para o nosso mundo dilacerado», pois «responder à violência com a violência leva, na melhor das hipóteses, a migrações forçadas e a sofrimentos atrozes». Com uma saudável utopia evangélica, o pontífice lança um apelo a favor do desarmamento, a proliferação e a abolição das armas nucleares, sublinhando que «há que inverter a lógica do equilíbrio do terror, não é ele que vai propor a verdadeira paz». Os recursos usados na corrida armamentista poderiam ser despendidos para satisfazer necessidades e o desenvolvimento da população mundial.

O papa propõe – com base na práxis e na proposta de Jesus no Sermão da Montanha – a revolução da não-violência como o caminho que permite resolver as atuais crises político-militares e, simultaneamente, evitar que outras situações degenerem em conflitos armados, ao fazer primar a diplomacia sobre o fragor das armas e ao reconhecer a força do direito em vez do direito da força. Só com a negociação se construirá «a paz sem vencedor e sem vencidos», como escreveu Sophia de Mello Breyner Andresen num dos seus belos poemas.

A não-violência cultiva-se no coração de cada ser humano e floresce nas opções e ações quotidianas – pessoais, familiares e políticas – em favor da paz. Como meta a alcançar, assume-se como o «estilo característico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas». Alicerçada na ética da fraternidade e da coexistência pacífica, «praticada com decisão e coerência, produz resultados impressionantes», como o testemunharam, por exemplo, Mahatma Gandhi na libertação da Índia, Luther King na luta contra a discriminação racial nos EUA e Leymah Gbowee nos protestos contra a guerra na Libéria.

A não-violência ativa e criativa constitui-se, para todas as pessoas de boa vontade, num modo de ser e agir; faz-nos artesãos da cultura da paz, esse novo paradigma civilizacional em que se coloca a paz como princípio regente de todas as relações humanas e sociais.’


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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Mulheres e meninas, as maiores vítimas do tráfico de pessoas

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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 ‘Mulheres e meninas representam 71% das vítimas do tráfico de pessoas, uma forma de ‘escravidão moderna’ que atinge também crianças, um terço dos casos.

O Papa Francisco, repetidas vezes, definiu o tráfico de pessoas como ‘uma chaga’ dos tempos modernos. Em agosto deste ano, visitou a Comunidade João XXIII, em Roma, que acolhe 30 jovens que foram vítimas da prostituição e tráfico de pessoas.

A denúncia faz parte do Informativo Global sobre Tráfico de Pessoas 2016 do Escritório da ONU contra a Droga e o Delito (ONUDD), divulgado em Viena, com base nos relatos de quase 63 mil vítimas, entre os anos de 2012 e 2014, em mais de cem países.


Modalidades do tráfico

O tráfico de pessoas consiste em transportar e reter um pessoa pela força ou coerção, com o fim de explorá-la, não somente com fins de trabalho ou sexuais, mas também para mendigar ou, até mesmo, para o tráfico de órgãos ou matrimônios forçados.

A exploração sexual e o trabalho forçado seguem sendo as modalidades mais detectadas de tráfico, porém as vítimas também sofrem com o tráfico para a mendicância, os matrimônios forçados, as fraudes nos serviços públicos, ou a pornografia’, explica Yuri Fedotov, Diretor Executivo da ONUDD.

O relatório indica que em 54% dos casos, a exploração sexual é o delito mais comum, sendo observada no entanto uma tendência à diminuição desde 2007.

Enquanto as mulheres e meninas representam a maior parte das vítimas de abusos sexuais ou matrimônios forçados, para os homens e meninos a maior incidência é de exploração no trabalho (85% dos casos), principalmente na indústria da mineração, da pesca ou como soldados.


Exploração infantil

A exploração infantil também varia segundo as regiões e continentes, revela o relatório da ONU. Enquanto a média global em relação à exploração de menores gira em torno dos 30%, na África subsaariana este percentual aumenta para 64% e na América Central e Caribe, 62%.


Impunidade

As máfias por trás do tráfico ganham cerca de 32 milhões de dólares anuais. Os baixos índices de condenação, segundo a ONU, não fazem outro que incentivar este tipo de crime.

A maioria das pessoas condenadas por tráfico são homens (seis em cada dez) e geralmente são do mesmo ambiente das vítimas, o que é essencial para ganhar a sua confiança, embora exista, cada mais uma vez, grandes variações regionais. Na Europa de Leste 54% dos supostos traficantes investigados são mulheres e na África Subsaariana representam metade dos suspeitos.

O relatório revela que as mulheres tem uma maior taxa de condenação pelo tráfico de pessoas em relação a outros delitos e aponta também que, em alguns casos, as próprias vítimas passam a fazer parte de uma organização criminosa, cooptando novas mulheres e meninas.

A ONU alerta não existir nenhum país imune ao tráfico e que somente na Europa Ocidental foram detectadas vítimas oriundas de 137 países. A ONU chama a atenção, ademais, para o fato de que os dados documentados no informe representam somente ‘a ponta do iceberg’.


trafico de pessoas

Guerras, migrações e pobreza

O documento não arrisca um número global de pessoas afetadas por este crime contra os direitos humanos, limitando-se a analisar estes 63.000 casos documentados nos últimos dois anos, embora o próprio Fedotov disse em mais de uma ocasião que as vítimas totalizaram ‘milhões’.

No relatório, o Diretor Executivo do ONUDD destacou a ligação entre a presença de grupos armados e o tráfico de pessoas, que muitas vezes exploram sexualmente mulheres e enviam os homens para o trabalho forçado ou para combater.

As pessoas que fogem de guerras e perseguição são particularmente vulneráveis ao tráfico’, ressaltou Fedotov no relatório, recordando que os atuais movimentos migratórios e de refugiados são os maiores no mundo desde a Segunda Guerra Mundial. Outros fatores que aumentam a vulnerabilidade a este tipo de crime é o crime organizado e a pobreza.


Penalização do tráfico

O relatório também detalha que houve avanços significativos nos últimos anos : se em 2003 apenas 18% dos países penalizava o tráfico, agora são 85%, um total de 158 países. Também foi ampliado o espectro do delito, já que as forças de segurança de muitos países agora detectam melhor os casos de trabalhos forçados ou exploração no trabalho.

No entanto, novamente voltam a existir grandes diferenças entre os países, e os Estados mais pobres são aqueles que têm mais dificuldades para garantir uma investigação e proteção adequada às vítimas. Nesse sentido, a ONU afirma que o grau de impunidade por este crime continua a ser elevada, em parte devido à investigação deficiente para resolver um crime transnacional tão complexo.

O documento salienta que são necessários mais recursos para identificar e ajudar as vítimas, assim como para melhorar as ações do sistema de justiça para investigar e processar os responsáveis.’


Fonte :


sábado, 29 de outubro de 2016

Prêmio Sakharov atribuído a duas iraquianas raptadas pelo Estado Islâmico

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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‘O Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento foi atribuído a Nadia Murad Basee Taha e Lamiya Aji Bashar, duas jovens yazidis que foram raptadas pelo autoproclamado Estado Islâmico e sobreviveram para contar a sua história.

A comunidade yazidi é uma minoria religiosa que tem sido objeto de uma campanha de genocídio por militantes do Estado Islâmico no Iraque.

Nadia Murad e Lamiya Aji são ambas vítimas e sobreviventes da violência do grupo Estado Islâmico contra esta comunidade.

Violentadas sexualmente e escravizadas pelo grupo islamita durante meses, como milhares de outras mulheres yazidis, Nadia e Lamiya são atualmente as porta-vozes da luta pelo reconhecimento dos crimes de guerra levados a cabo pelo EI, nomeadamente o genocídio da comunidade Yazidi.

Foi graças aos relatos das duas mulheres que a comunidade internacional se apercebeu da campanha de violência sexual levada a cabo pelo grupo islamita.

O Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento foi instituído em 1988 e é atribuído a pessoas que tenham dado uma contribuição excecional para a luta em prol dos direitos humanos em todo o mundo, chamando a atenção para as violações dos direitos humanos.


Informações gerais sobre as laureadas

Em 3 de agosto de 2014, o EI assassinou todos os homens da aldeia de Kocho, cidade natal de Lamiya Aji Bashar e Nadia Murad em Sinjar, no Iraque. Na sequência do massacre, as mulheres e as crianças foram escravizadas : todas as jovens, incluindo Lamiya Aji Bashar, Nadia Murad e as suas irmãs foram raptadas, compradas e vendidas várias vezes, e exploradas para fins de escravatura sexual. Durante o massacre de Kocho, Nadia Murad perdeu seis dos seus irmãos e a mãe, que foi morta juntamente com oitenta mulheres mais idosas consideradas como não tendo qualquer valor sexual. Lamiya Aji Bashar também foi explorada como escrava sexual, juntamente com as suas seis irmãs. Foi vendida cinco vezes entre os militantes e forçada a fabricar bombas e coletes suicidas em Mossul depois de os militantes do EI executarem os seus irmãos e o pai.

Em novembro de 2014, Nadia Murad conseguiu fugir com a ajuda de uma família vizinha, que a retirou clandestinamente da zona controlada pelo EI, permitindo-lhe seguir para um campo de refugiados no norte do Iraque e depois para a Alemanha. Um ano mais tarde, em dezembro de 2015, Nadia Murad dirigiu-se ao Conselho de Segurança das Nações Unidas na sua primeira sessão sobre tráfico de seres humanos com um discurso de grande impacto sobre a sua experiência. Em setembro de 2016, tornou-se a primeira embaixadora da Boa Vontade do UNODC para a Dignidade dos Sobreviventes do Tráfico de Seres Humanos, participando em iniciativas de sensibilização globais e locais sobre a difícil situação das inúmeras vítimas do tráfico de seres humanos. Em outubro de 2016, o Conselho da Europa homenageou-a com o Prêmio dos Direitos Humanos Václav Havel.

Lamiya Aji Bashar tentou fugir várias vezes até escapar finalmente em abril, com a ajuda da sua família, que contratou passadores locais. Ao fugir da fronteira curda para território controlado pelo Governo do Iraque, com militantes do EI no seu encalço, uma mina terrestre explodiu, matando duas pessoas das suas relações e deixando-a ferida e quase cega. Felizmente, conseguiu escapar e acabou por ser enviada para tratamento médico na Alemanha, onde se juntou aos seus irmãos sobreviventes. Desde a sua recuperação, Lamiya Aji Bashar tem trabalhado ativamente na sensibilização para a difícil situação da comunidade yazidi e continua a ajudar mulheres e crianças que foram vítimas da escravatura e das atrocidades do EI’.
  

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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Mossul, o mais difícil vem depois

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

A segunda maior cidade do Iraque deixará de fazer parte do Califado Islâmico.
*Artigo de José Couto Nogueira,
Jornalista


‘A batalha pela cidade iraquiana de Mossul, controlada pelo Califado Islâmico (Daesh) decorre há vários dias, com as forças do ISIS a defender a cidade contra uma coligação de trinta forças diferentes e por em certos casos antagônicas. O desfecho parece inevitável; vai demorar semanas, mas a segunda maior cidade do Iraque deixará de fazer parte do Califado Islâmico.

Está sendo dura, a batalha, mas o mais difícil virá a seguir; o braço de ferro pelo domínio da cidade.

Mossul é segunda maior cidade do Iraque fica ao Norte de Bagdade, perto da fronteira com a região curda. Sunita, foi a primeira cidade importante ocupada pelo ISIS, em Junho de 2014, e foi lá que se auto proclamou o Califado Islâmico.

Como o ISIS é sunita, na altura a população da cidade aderiu ao movimento, pois receava a descriminação do Governo shiita de Bagdade. Nestes dois anos, a violência do ISIS fez com que uma parte fugisse, mas não se sabe como os habitantes que ainda permanecem reagirá à chegada das tropas iraquianas, apoiadas por milícias shiitas. Além disso, os curdos também reivindicam Mossul, argumentando que foram eles que travaram a expansão do Daesh quando o exército iraquiano bateu em retirada. Portanto já temos aqui três forças a reivindicar a cidade : sunitas, shiitas e curdos.

Estas forças são apoiadas, mais ou menos abertamente, pelos países da região.

Os turcos, que até 1918 dominavam toda a península da Arábia, insistem em ter um papel na refrega, contra a vontade dos iraquianos, que consideram sua presença uma invasão. Mas Haider al-Abadi, o primeiro ministro iraquiano, neste contesto não tem forças para os empurrar de volta para a Turquia.

O Irão, shiita, tem atacado o Daesh, mas não gosta dos iraquianos, com quem teve uma guerra brutal ente 1980 e 1988. A Arábia Saudita – que muitos analistas consideram tratar-se do verdadeiro Califado Islâmico, pelo seu radicalismo religioso – diz-se que tem apoiado o Daesh, embora não abertamente, uma vez que é aliada dos Estados Unidos, que são contra o ISIS

A Síria é evidentemente contra o ISIS, que ocupa uma parte do país – a capital do Califado, Raqqa, é em território sírio - mas neste momento não está em situação de atacar o ISIS, a braços com a guerra civil entre-portas que envolve várias facções.

A estes países da região há que acrescentar os americanos e os russos, ambos contra o Califado, mas com prioridades diferentes no teatro de guerra.

Os Estados Unidos basicamente são contra o ISIS e também contra o Governo sírio de Bashar al-Assad, e a favor dos insurgentes sírios (os chamados ‘movimentos islâmicos moderados’), dos curdos e dos iraquianos. Continuam a querer a saída de Al-Assad, mas a agressividade do ISIS e a dificuldade em distinguir os diversos grupos ‘islâmicos moderados’ levou a escolher como inimigo principal o Daesh.

Os russos, ao contrário, são aliados de Bashar al-Assad e, embora digam que querem destruir o Daesh, de fato tem atuado mais contra os insurgentes sírios ‘moderados’ que ameaçam o regime do sanguinário ditador.

Difícil de entender todas estas amizades e inimizades? Sem dúvida. Os próprios beligerantes por vezes parece que não entendem e mudam de adversário preferencial conforme a evolução do conflito.

Voltando a Mossul. Houve uma ofensiva iraquiana na primavera, que não conseguiu desenvolver-se. Os Peshmerga, famosos guerrilheiros curdos, têm vindo a aproximar-se de Mossul lentamente, conquistando cidades dentro da sua região. Desta vez a ofensiva, que demorou meses a coordenar e tem, supostamente, 80 mil homens, é constituída por forças do governo de Bagdade, milícias xiitas (Unidades de Mobilização Popular), milícias de tribos sunitas, milícias iranianas, milícias do Hezbollah, Peshmerga curdos, forças fiéis ao antigo governador de Mossul, e turcos. Pelo ar e como conselheiros no terreno estão os americanos, ingleses e iranianos. Há ainda que considerar os guerrilheiros do PKK (curdos da Turquia) e das Unidades de Proteção Popular (sírias), bem como milícias Yazidis.

Uma questão que com certeza não interessa muito a nenhuma destas forças, mas que está a assustar as organizações humanitárias internacionais, é os perigos que corre a população civil de Mussul, calculada entre um milhão e um milhão e meio de pessoas.

Afirmou o coordenador da ONU para os Direitos Humanos : ‘não acusem os civis de Mossul de pertencerem ao ISIS, e que não haja execuções sumárias, nem de civis nem de membros do Califado Islâmico’. Os que ainda permanecem na cidade, em parte porque querem, em parte porque o ISIS não os deixa sair, apanhados no fogo cruzado, são potenciais vítimas de franco-atiradores ou podem ser utilizados como escudos-humanos. A ONG Save the Children calcula que há 500 mil crianças entre eles.

Há muito mais em jogo nesta batalha do que a tomada da cidade. Joga-se o futuro do Iraque como um país unido, com as fronteiras tradicionais. Está em causa o Governo de Bagdad, que poderá não resistir a uma derrota ou a uma vitória pouco nítida. A autonomia dos curdos e yazidis também depende do terreno que conseguirem conquistar, para negociações posteriores sobre o seu estatuto. É a primeira vez que os Peshmerga curdos e os soldados iraquianos, inimigos desde sempre, estão do mesmo lado numa batalha.

Moqtada al Sadr, o clérigo xiita que liderou o exército de Mahdi no combate à ocupação norte-americana, (ainda não tínhamos falado neste...) disse que a batalha de Mossul é uma guerra entre o governo de Bagdad e os terroristas, e que o Iraque deve recusar o apoio turco em nome da soberania iraquiana; o Presidente turco, Erdogan, atirou que ‘está fora de questão a Turquia ficar fora da ‘operação Mossul’’ acrescentando que o pais estará na operação militar e na mesa de negociações; o parlamento iraquiano já votou uma moção em que considera a presença turca como ‘ocupação’ e violação de soberania.

O antigo governador de Mossul, acusado de ser o responsável pela queda de Mossul às mãos do ISIS também tem a sua milícia pessoal, que é apoiada pela Turquia e também quer ter uma palavra a dizer à mesa dos vitoriosos.

Calcula-se entre 30 mil e 80 mil atacantes a Mossul, mas é impossível saber o número certo, dada a diversidade das forças e a desconfiança mútua. Quanto ao ISIL, avalia-se que terá entre quatro a oito mil combatentes. Não se sabe como será possível distinguir entre combatentes e civis, ou entre os combatentes dos diversos grupos. Certamente que alguns aproveitarão para abater outros atacantes no meio da confusão, e entre os defensores há oportunidades para ajustes de contas.

Finalmente, os europeus, que não têm nenhum papel numa região que é estrategicamente essencial para a Europa, também se pronunciaram sobre a tomada de Mossul, pela voz do Comissário da Segurança, Julian King :

O retomar [do controle] do reduto do Califado no norte do Iraque, Mossul, pode levar a um regresso à Europa de combatentes violentos do ISIS’.

Com todos estes interesses em jogo, o mais provável é que depois da tomada de Mossul se realizem as tais conversações à volta de uma mesa em que, logo para começar, se discutirá quem terá direito a sentar-se. E enquanto se briga à mesa, com certeza se brigará nas ruas, casa a casa, para ocupar espaço vital, proteger pessoas desta ou daquela facção e liquidar famílias da outra e aqueloutra, por ódio e por contas antigas, nunca saldadas.

Não é exagero dizer que Mossul e Alepo, a outra cidade mártir, devem ser os piores lugares do planeta nos próximos meses.’
  

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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Sudão do Sul : Mais de um milhão de refugiados

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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‘O total de refugiados sul-sudaneses a viver em países vizinhos bateu a marca de mais de um milhão, informa a agência da ONU para refugiados (Acnur).

Com isso, o Sudão do Sul passa a fazer parte do grupo de países que já produziram mais de um milhão de refugiados, ao lado da Síria, do Afeganistão e da Somália.

Na sexta-feira, 16 de setembro, o porta-voz da agência, Leo Dobbs, disse que a maioria dos que fogem do Sudão do Sul é composta de mulheres e crianças. Entre eles estão sobreviventes de ataques violentos e violações sexuais, menores separados de suas famílias, idosos e pessoas com deficiência. Muitos estão precisando de cuidados médicos urgentes.

Mais de 75% das pessoas que deixaram o Sudão do Sul recentemente foram para o Uganda, mas também há um grande número de sul-sudaneses no oeste da Etiópia, na região de Gambella. Alguns foram para o Quênia, República Centro-Africana e a República Democrática do Congo, RD Congo.

O Sudão do Sul, o mais novo país da ONU, completou cinco anos de existência em meio a uma grave crise de violência entre os simpatizantes do presidente Salva Kiir e do ex-vice-presidente Riek Machar.

Centenas de milhares de pessoas estão precisando de ajuda. Mais de 1,6 milhão são deslocadas internas. Ao todo, o Uganda está a abrigar mais de 373 mil refugiados do conflito sul-sudanês.

Muitos refugiados chegam exaustos ao país de asilo após caminharem a pé vários dias pelo mato com sede e com fome. Muitas crianças ficaram órfãs de pai, mãe ou ambos.

Várias crianças mais velhas acabam tendo que cuidar dos irmãos menores.

O país vizinho, Sudão, está a abrigar o terceiro maior número de refugiados sul-sudaneses com mais de 247 mil pessoas que continuam a entrar na nação pelo leste de Darfur ou os estados do Nilo Branco.

Os refugiados também se deslocam, em menor número, para o Quênia, a RD Congo e a República Centro-Africana desde o retorno dos combates em julho.’


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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Maus-tratos : Mundo cruel

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Carlos Reis,
Jornalista

O recurso à tortura, agressão, escravidão e outras formas de tratamento cruel, desumano ou degradante persiste por países de todo o mundo. Crianças e adultos são vítimas de violência física e psicológica e os seus direitos postos de parte por Estados, organizações e ‘protetores’.


‘Graves violações de direitos humanos e um ataque generalizado às liberdades e aos direitos fundamentais registam-se em todo o mundo, com mais de 122 países a realizarem torturas ou maus-tratos. A denúncia da Amnistia Internacional (AI) refere-se ao tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante entendidos como atos duros ou negligentes com a intenção de causar dor física ou mental, sofrimento ou humilhação às vítimas. Já a tortura constitui a forma agravada e deliberada.

Estes maus-tratos podem ser cometidos em postos de polícia, prisões, centros de detenção, hospitais ou instituições para doentes mentais e até ser infligidos em casa das vítimas. O manual Monitoring and Investigating Torture or CID Treatment aponta que alguns dos atos ou omissões incluem o «encerramento em celas escuras, punições, uso de correntes, assim como tratamento negligente como a privação de alimentos, água, higiene ou tratamento médico», especifica o documento da AI.

Compete aos Estados assegurar que todos os atos de tortura são ofensas abrangidas pela lei criminal, mas nem todas as constituições ou leis nacionais proíbem o uso de tortura. Muitos países argumentam que são incapazes de modificar as condições prisionais degradadas devido aos problemas económicos. Contudo, «muitas das ações tomadas pelos governos para restringir os direitos humanos são elas próprias bastante caras», ressalva o Codesria, conselho africano de pesquisa em ciências sociais.

As vítimas são os mais desfavorecidos, prisioneiros comuns e políticos, detidos, manifestantes, familiares de ativistas ou membros de grupos étnicos ou religiosos.


Estado dos direitos

Além da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adoptada pelas Nações Unidas, a Declaração Islâmica Universal dos Direitos Humanos reprova a utilização da tortura. Também a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, convencionada pela União Africana, declara o direito à integridade física e moral.

Na África, depois de a União Africana ter declarado 2016 como o Ano dos Direitos Humanos, registam-se avanços positivos em diversos países. Na Mauritânia, uma nova lei baniu a detenção secreta e na Suazilândia presos políticos foram libertados.

Ainda assim, ao longo de 2015, «muitos governos responderam às ameaças à segurança com desrespeito ao direito internacional humanitário», denuncia a AI no relatório Report 2015/16. Operações de segurança na Nigéria, Camarões, Níger e Chade foram marcadas por prisões arbitrárias, detenções em regime incomunicável, execuções extrajudiciais e tortura.

Na América do Sul, a tortura e outros maus-tratos continuaram generalizados em 2015, com as autoridades a não processarem os responsáveis. «Os tratamentos cruéis, desumanos e degradantes são habituais nas penitenciárias e no momento da prisão», aponta a AI. Na Argentina, Bolívia e México, as denúncias de tortura não são investigadas e as forças de segurança mantêm-se impunes. Os maus-tratos são endêmicos nas prisões do Brasil.

Na Ásia, a tortura e outros maus-tratos durante a detenção são generalizados na China. Na Índia, mortes por tortura obrigaram à instalação de circuitos fechados de televisão nas prisões. A violência sexual entre detidos é denunciada no Sri Lanka e no Irão os tribunais continuam a impor punições como a flagelação e amputações.

Em Portugal, «pessoas das comunidades ciganas e de ascendência africana continuam a sofrer discriminação. Ocorrem novas denúncias de uso excessivo da força pela polícia e as condições prisionais continuam a ser inadequadas», de acordo com a AI.

A tortura permanece generalizada em todo o mundo. É alarmante que alguns dos responsáveis por estes atos criminosos considerem que nada têm de que se envergonhar.


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* Artigo na íntegra