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sexta-feira, 10 de maio de 2019

Por que servir mais?


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Segundo dom Walmor,
*Artigo de Dom Walmor Oliveira de Azevedo,
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, MG


‘O compromisso de partilhar o dom da vida, dádiva sagrada de Deus, é o horizonte para responder a esta questão : ‘por que servir mais?’. A medida dessa oferta se alarga, sem limites, para o cristão na incansável missão de contribuir para a edificação de uma sociedade fraterna e solidária. Temos, assim, um longo caminho a percorrer, de diálogos e reflexões, no interno da Igreja, e da Igreja com a sociedade, junto aos irmãos bispos, que me confiaram a missão de presidir a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e com o apoio do povo de Deus.  O exemplo é sempre Jesus Cristo, que entrega sua vida para que todos tenham vida, e não dispensa seus discípulos de se dedicarem a fazer o bem. O grande desafio : o seu seguimento.

O porquê dessa pergunta - ‘por que servir mais?’ - se desdobra, ainda, em outro questionamento : ‘Para que servir mais?’. As urgências da vida, que é dom, exigem providências, respostas, e as comodidades não podem adiá-las. Indicam que o bem, a verdade, a justiça e o amor não podem esperar o amanhã. É preciso encontrar as respostas logo, se comprometer. Ter a necessária disposição para enfrentar sacrifícios, o que exige abrir mão das vaidades, e coragem para além de todo medo, por saber a dimensão do desafio que se apresenta. É preciso trabalhar para a recomposição dos tecidos esgarçados dos relacionamentos e dos funcionamentos da sociedade, em razão das grandes mudanças e das polarizações, para encontrarmos o caminho do respeito, sobretudo da fidelidade aos valores do evangelho. E sem as generosidades, sem a presença incondicional e plena, os projetos e as instituições não se sustentam nem se impulsionam. Sobretudo quando a busca é qualificar as condições de servir e de promover a existência de todos, com especial e urgente atenção aos mais pobres, às vítimas das indiferenças e das violências - tudo o que a vida, dom sagrado, exige para ‘ontem’.

No horizonte dessas urgências, a cultura contemporânea submerge numa avalanche de complexas mudanças, com essa preocupante configuração de polarizações e extremismos. Realidade que mostra a falta de clarividência, gerando até exigências de tratamento criminal para as incivilidades e desrespeitos à sacralidade da vida. Assim, conjugando-se mediocridade e comodidade, arrisca-se a desistir da missão de servir.

Por razão de fé e cidadania, a comodidade e a indiferença não devem prevalecer sobre as necessidades da vida, que não pode perder a sua inteireza. Torna-se urgente servir mais, oferecer o que se pode a mais, incluir sacrifícios, elevando a altos níveis o altruísmo, que não pode faltar no coração de cada pessoa. A vida só alcança a qualidade de dom na medida em que esse dom é vivido como oportunidade de servir e ser operário de uma construção social, política, cultural e religiosa, sobre os alicerces da verdade, justiça e do amor.

Põe-se aqui relevante questão ética no sentido de balizar ações, conceitos, e suas consequências : a responsabilidade de cada indivíduo ante a seriedade de suas posições, escolhas e pronunciamentos, pois a complexidade do momento pode gerar medos e acovardar posturas. Quando se decide por ‘servir mais’ é imprescindível pensar, corajosamente, sobre a oportunidade de se trabalhar por um novo momento civilizatório, considerando a importância de uma ampla reconstrução sócio-cultural-antropológica.

Urge, pois, a configuração de um novo momento. Este é possível! Requer coerência e destemor, ancorados na fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo, numa vida com força testemunhal e irretocável credibilidade, avançando na direção do bem e da verdade. Presidir a CNBB é uma missão especial, pois somos bispos, chamados por Jesus Cristo, para ajudar a humanidade a se abrir ao amor de Deus. Nosso compromisso é servir sempre mais. Vale relembrar as palavras de São Martinho de Tours : se precisam de mim, não recuso trabalho.’


Fonte :

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Mosteiro fica sem religiosas de clausura depois de 3 séculos

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 


‘Após 304 anos, o Mosteiro da Visitação de Milão (Itália) ficou sem religiosas de clausura, depois que as últimas quatro foram transferidas para outro convento, de onde continuarão servindo a Igreja através da Ordem da Visitação de Santa Maria, fundada por São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca Frémyot de Chantal.
As quatro religiosas se despediram do mosteiro na tarde do dia 3 de novembro, rezando em frente ao portão, antes de partir para a sede da Ordem em Soresina, na província de Cremona, informou ‘Il Corriere della Sera’.
As religiosas da Ordem da Visitação viviam no mosteiro desde julho de 1713, quando se estabeleceram em um abrigo, atualmente em ruínas, mas que foi fundado por São Carlos Borromeu, Arcebispo de Milão, com o objetivo de oferecer um lar às meninas que ficaram órfãs devido à peste.
Com o passar do tempo, também abriram um colégio para as filhas dos nobres milaneses.
Entretanto, como o número de religiosas diminuiu para apenas quatro e o convento era muito grande, foi tomada a decisão de transferi-las à sede de Soresina, onde há mais irmãs.
Esta não é a primeira vez que um mosteiro da visitação é fechado com a consequente mudança das poucas religiosas que restavam. Já aconteceu em Sanremo, Arona e Massa Cozzile.
Embora seja um edifício histórico, isto não é o mais importante para as quatro religiosas, que não escondem a emoção da despedida.
É verdade que há muita emoção. Estamos muito felizes de ir para onde o Senhor nos pede. Mas sempre levaremos no coração este lugar, onde passamos a vida inteira’, afirma uma das religiosas através do intercomunicador.’’

Fonte :


quarta-feira, 25 de março de 2015

Chamados para servir

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 *Artigo de Cardeal Dom Orani João Tempesta, O. Cist.,
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

‘Dentro da Quaresma celebramos a solenidade da Anunciação do Senhor. Nesse anúncio aparece o grande ‘sim’ de Maria! Isso nos remete a pensar sobre o nosso sim hoje. A história do chamado de Deus a Santíssima Virgem Maria nos ajuda a compreender e a responder à nossa vocação. Pois, Nossa Senhora é a ‘Carta’ que Deus dá aos corações mais simples para compreender a grandeza do chamado que Ele nos faz. Na simplicidade da Menina de Nazaré está escondida a grande Mãe de Deus, que está nos Céus à espera de cada um de nós. Maria é modelo para toda a Igreja, por isso, sua resposta ao chamado de Deus é também modelo para todos nós. Estas escondem a grandeza e a sublimidade da sua vocação, que nos ajudam a compreender e assumir o desígnio de Deus para todos nós.

Ao celebrarmos a festa da Anunciação do Senhor, ouvindo a disponibilidade da Virgem Maria aos planos de Deus colocando-se a serviço do Reino, nos vem à mente e ao coração o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, que nos indica que somos chamados a fazer como Jesus : ‘Eu vim para servir’.

A Virgem Maria é a ‘Carta de Deus’ que nos ajuda a descobrir como o Senhor age no mistério da Salvação e, consequentemente, em nossa vocação. Não há nada que desoriente a mente humana como a simplicidade das obras divinas se comparada com os efeitos que se conseguem (…) O ‘sim’ da Virgem de Nazaré ao chamado de Deus é traduzido com o latim ‘fiat’, que significa ‘faça-se’, mas no original a palavra grega não expressa uma simples aceitação resignada, mas um vivo desejo. É como se dissesse : Eu também desejo, com todo o meu ser, o que Deus deseja; faça-se logo o que Ele quer. Nossa Senhora concebeu Cristo no seu coração antes de concebê-Lo no seu corpo. O ‘sim’ de Maria ao anúncio do Anjo nos ajuda a dar a nossa resposta diante da nossa vocação, do chamado de Deus. O Senhor espera de nós, como esperou de Maria, não somente a aceitação da nossa vocação, mas também o vivo desejo de realizá-la plenamente. Pois, o próprio Jesus desejou ardentemente realizar a vontade do Pai. E nessa solenidade aparecem essas duas respostas : a de Maria e a de Jesus!

Tendo em vista a nossa vocação, enquanto recebemos de Deus, somos convidados a fazer como Maria. Ser uma humilde serva do Senhor! Isso vale para todos, mas, sobretudo, para os que têm alguma responsabilidade de serviço na Igreja. Devemos ser aquele que serve, pois é nisto que consiste a realização de toda a vocação.

Nas ‘Cartas pastorais’ enviadas aos seus discípulos Timóteo e Tito, o apóstolo Paulo se concentra com cuidado na figura dos ministros, mas também sobre a figura dos fiéis, dos idosos, dos jovens. Concentra-se em uma descrição de cada cristão na Igreja. Ora, é emblemático como, junto aos dotes inerentes à fé e à vida espiritual – que não podem ser negligenciadas porque são a própria vida – são elencadas algumas qualidades puramente humanas : o acolhimento, a sobriedade, a paciência, a mansidão, a confiança, a bondade de coração.

É este o alfabeto, a gramática de base de cada ministério! Deve ser a gramática de base de cada um de nós. Sim, porque sem esta predisposição bela e genuína a encontrar, a conhecer, a dialogar, a apreciar e a se relacionar com os irmãos de modo respeitoso e sincero não é possível oferecer um serviço e um testemunho realmente alegre e credível.

O apóstolo exorta a reviver continuamente o dom que foi recebido (Cf. 1 Tm 4, 14; 2 Tm 1, 6). Isto significa que deve estar sempre viva a consciência de que não se é mais inteligente, melhor que os outros, mas somente em força de um dom, um dom de amor dado por Deus, no poder do seu Espírito, para o bem do Seu povo. Esta consciência é realmente importante e constitui uma graça a pedir todos os dias!

A consciência de que tudo é dom, tudo é graça, também nos ajuda a não cair na tentação de colocar-se no centro da atenção e de confiar apenas em si mesmo. São as tentações da vaidade, do orgulho, da suficiência, da soberba. A consciência de sermos por primeiro objeto de misericórdia e da compaixão de Deus deve nos levar a ser sempre humildes e compreensivos nos confrontos dos outros. Estando na consciência de ser chamado a proteger com coragem o depósito da fé (Cf. 1 Tm 6, 20), nos colocaremos em escuta dos irmãos. Somos conscientes de ter sempre algo a aprender, mesmo com aqueles que podem ser ainda distantes da fé e da Igreja. Com os próprios irmãos, depois, tudo isto deve levar-nos a assumir uma atitude nova, com o compromisso da partilha, da corresponsabilidade e com a comunhão.

Assim como a Virgem Maria é a ‘Carta de Deus’, somos chamados a ler com os olhos de fé. Não nos enganemos com a simplicidade das suas palavras, pois o que se realizou a partir dela foi a salvação de toda a humanidade,em Jesus Cristo. Comoa Mãe do Senhor, coloquemo-nos em prontidão para o serviço de Deus. À semelhança de Maria, aceitemos a nossa vocação, o nosso chamado, com o ardente desejo de realizá-la plenamente. Acreditemos que o Senhor nos chama para uma alta vocação e digamos o nosso ‘sim’, o nosso ‘amém’.


Fonte :
* Artigo na íntegra de http://www.zenit.org/pt/articles/chamados-para-servir