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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Em fuga das guerras e carestias para reencontrar a esperança

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


‘Um casal em fuga da Eritreia, uma mulher emigrada do Peru para o Chile e uma família ítalo-portuguesa que se tornaram empresários de sucesso no Canadá levaram nesta manhã de terça-feira 21 de fevereiro o seu testemunho à Sala Clementina do Palácio apostólico no Vaticano, narrando ao Papa Francisco experiências de vida em movimento constante. O Pontífice recebeu-os em audiência juntamente com os outros 250 participantes no sexto fórum internacional Migrações e paz, sobre o tema : «Integração e desenvolvimento. Da reação à ação».

Organizada pelo Dicastério para o serviço do desenvolvimento humano integral, em colaboração com os missionários escalabrinianos e a Konrad Adenauer Stiftung, os dois dias de trabalho têm como objetivo principal propor sugestões concretas para as políticas e os programas em matéria migratória, identificando as melhores práticas europeias e americanas.

Fiori Temanu, eritreia ortodoxa, atravessou o mar Vermelho para chegar ao Iémen, de onde – por causa da guerra – fugiu para a Jordânia para depois chegar a Itália. É casada com o concidadão Amanuel Adndehaymanot, que desembarcou em Lampedusa através da rota mediterrânea.

Hoje têm um filho, Adonai, e juntos quiseram dirigir um premente apelo ao Pontífice a fim de que se abram «canais legais de entrada nos países de acolhimento, a fim de que outros requerentes de asilo não arrisquem a vida nas mãos dos traficantes ou atravessando o deserto e o mar. Todos estamos cientes – concluíram – de quantos ainda hoje vivem o drama da emigração forçada».

E é uma história de migração com um final feliz também a de Ofelia Cueva, peruana que vive no Chile desde há vinte anos. «Era uma professora – recordou – quando em 1997 deixei o meu país para ir trabalhar como doméstica em Santiago. Dado que os proprietários não permitiam que eu ficasse em casa nos fins de semana, passava o tempo lendo livros nas estações de metropolitano. Um sábado em que fazia muito frio, vendo muitos migrantes no metropolitano, decidi organizar-me para me ocupar deles nos fins de semana». Precisamente como o santo bispo Giovanni Battista Scalabrini, que teve a inspiração para a sua missão numa estação ferroviária milanesa, também a de Ofelia ‘migrante com os migrantes’ foi – como ela próprio disse – um dom «da providência divina, pois no dia seguinte na paróquia escalabriniana da capital do Chile o sacerdote que coordenava a pastoral dos migrantes» confiou-lhe a direção dos alojamentos do novo centro integrado de apoio aos migrantes (Ciami) que os missionários estavam implementando em Santiago. E assim «desde o mês de março de 2000 – acrescentou – trabalho no Ciami para oferecer alojamento, refeições, assistência jurídica, formação profissional, emprego e acompanhamento psicológico e religioso. Em dezessete anos acolhemos mais de oito mil mulheres emigradas no Chile e mais da metade delas, graças ao nosso centro, encontraram um trabalho estável».

Por fim, Vilma Cortellucci narrou a própria história de migrante no Canadá. Italiana, casou-se com Manuel, nascido em Portugal que emigrou primeiro para a Argentina e, em seguida, foi para Toronto. E juntamente com o irmão Nicola e a cunhada Rosanne abriram uma bem sucedida empresa de construção. Mas não obstante o bem-estar alcançado nunca esqueceram as suas origens, colaborando ativamente com a paróquia dos escalabrinianos na metrópole canadense. A ponto que atualmente desempenham cargos dirigenciais nos Scalabrini international migration network de Nova Iorque. «Apoiamos – explicaram – os missionários na sua defesa e no seu compromisso na assistência a migrantes e refugiados do mundo inteiro, sobretudo na América Latina, Haiti, África e Ásia».’


Fonte :


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Jibuti : O pregador do deserto

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo de Sebastián Ruiz-Cabrera,
Jornalista


‘A história de como este padre norte-americano de quase dois metros de altura se tornou vigário-geral do Jibuti, em África, tem duas explicações. Ambas começam em Detroit. Uma, as orações provindas das mesquitas que faziam vibrar a sua curiosidade. A segunda, o contexto do seu trabalho como engenheiro na indústria automóvel. «Eu trabalhava com muçulmanos. E sempre me tocou a questão da paz no Médio Oriente. Como americano típico, pensava que com projetos e com escolas íamos mudar o mundo... Depois de uma confissão, percebi que o problema não radicava aí. Essas opções podem ajudar, mas as respostas encontram-se nas profundezas dos nossos corações. É necessário reconciliar-nos com Deus», conta Mark Desser.

A sua aproximação à fé católica teve muito que ver com a sua mãe. Ele foi o penúltimo de 17 irmãos. «A minha mãe rezava para que pelo menos um fosse padre. E o Senhor ouviu os seus pedidos depois de tanto tempo», diz, sorrindo.


Pregando no deserto

Depois da etapa de discernimento vocacional em Detroit, abriram-se para Mark Desser novas portas. «Estive na Espanha e depois no Peru durante três anos e meio, com os Servos dos Pobres, mas o amor aos muçulmanos estava no meu coração e eu não conseguia apagá-lo; tinha de continuar à procura. Essa busca levou-me a França, a uma paróquia onde tinha de evangelizar porta a porta

Desser continuou a rezar para discernir a sua encruzilhada. E depois de muita oração, percebeu que «o Senhor queria que fosse missionário num país muçulmano. Li uma carta de D. Giorgio Bertin, bispo do Jibuti, que implorava sacerdotes. Não demorei sequer meia hora a obter o seu número de telefone».

Não sabia nada acerca do Jibuti, mas «como dizia S. João da Cruz, o que faz falta no mundo são missionários de misericórdia, homens e mulheres portadores da graça de Deus em contextos onde não a há», afirma, sublinhando que «o resto não importa».

Era a sua primeira vez em África e Desser lembra o que lhe toca a alma : «Reencontrar-me com o mundo muçulmano, com o chamamento para a oração às quatro e meia da manhã, e encontrar a igreja no meio desta turbulência, encontrar esta jóia no meio do deserto, é muito bonito!» E nisto evoca outra figura que, além do místico espanhol S. João da Cruz, lhe ilumina o caminho : Charles de Foucauld, «um bem-aventurado que levou uma vida apaixonante entre os muçulmanos».


Educação e desenvolvimento

O Jibuti está situado num lugar estratégico. Domina a entrada para o Corno de África, mas também as águas entre o mar Vermelho e o golfo de Áden. Com 830 mil habitantes e uma área de 23 200 quilómetros quadrados, é uma nação pequena, mas muito cosmopolita.

Além dos 96 por cento de muçulmanos, há cerca de 1000 ortodoxos coptas etíopes e eritreus, e algumas centenas de protestantes (europeus ou africanos), entre outras confissões. A população católica não chega a 15 000 fiéis, entre os quais cinco sacerdotes, incluindo o bispo, e um pequeno grupo de consagrados.

Com esta realidade tão heterogênea, a missão principal da Igreja é viver a presença de Cristo junto dos muçulmanos, sobretudo na educação. As escolas ao cuidado da Igreja existem no Jibuti desde a chegada dos primeiros missionários capuchinhos, em 1885. «As primeiras escolas do país foram católicas, ainda que agora a nossa representação tenha diminuído, porque o Estado nos reduziu a margem de manobra. Temos cerca de 2700 alunos e a maioria são muçulmanos», anota Desser, que é diretor de uma escola técnica na Missão Católica de Tadjorurah, no Norte do país, que proporciona a alfabetização a 71 meninos e meninas da etnia afar – um povo nômade –, e onde leciona soldadura.

Em todo o país, a Igreja tem quatro escolas primárias credenciadas pelo Estado e cinco (entre as quais está a de Tadjorurah onde o padre Desser ensina) dedicadas aos mais pobres e vulneráveis, aos que não têm documentos ou não podem frequentar a escola pública por diversas razões.

Também há uma pequena presença no campo da saúde, com algumas religiosas que trabalham com doentes de tuberculose, ou o trabalho realizado pela Cáritas com meninos de rua. E atendendo à importância do porto do Jibuti, surgiram iniciativas relacionadas com a prostituição. A Cáritas trabalha com essas pessoas para evitar as doenças, explica o padre Desser.

O envolvimento do missionário no dia-a-dia é essencial para a sua aceitação na comunidade onde vive. É a peculiaridade das missões : trabalho partilhado. Como observa Desser, «aprendemos uma estima recíproca que não se cria com um discurso ou uma reunião. Temos de partilhar a refeição, comer com as mãos. As pessoas apreciam muito isso».


Diálogo inter-religioso

Nos tempos atuais, em que a comunicação social fala de choque de religiões, este missionário norte-americano recorda que «o próprio presidente foi aluno da escola Charles de Foucauld nos anos 1950 e 1960. Graças a esse contato, católicos, autoridades públicas e muçulmanos respeitam-se. Jesus é muito estimado por estes. Não é o grande profeta, mas respeitam-n’O. No Natal, o município ofereceu a iluminação da fachada da catedral. Foi muito bonito. Além disso, sem pedirmos, eles enviam a polícia para evitar qualquer contenda. Há hotéis geridos por muçulmanos frequentados por cristãos, e vice-versa. O que deve ser evitado são as divisões».


A Igreja e os refugiados

Entre todas as histórias deste sacerdote que vive e prega entre os muçulmanos, Desser recorda especialmente como, há um ano, a realidade da migração forçada se cruzou no seu caminho. «Havia um traficante que levava etíopes por uma zona à beira do lago Assal – o lago do mel – o ponto mais baixo de África. Normalmente, quando chegam à costa do Jibuti, embarcam para o Iêmen e, de lá, viajam para Riad ou Dubai para procurar trabalho. Neste caso, quem conduzia era um jovem de 22 anos, com pelo menos 90 etíopes no caminhão. Quando deixaram a povoação, uns polícias viram-nos e foram no encalço do veículo. Mas a estrada é terrível. No dia seguinte, quando fiz o mesmo caminho, havia 26 corpos espalhados por toda a parte. O sol ardia. Foi terrível. Estava com uma família franco-etíope e alguns outros. O presidente da edilidade e o embaixador da Etiópia, depois de avisados, conseguiram ferramentas para abrir as sepulturas. Eu não tinha água benta. Somente as minhas ferramentas. Mas desde aquele dia, eu celebro todos os anos a Missa dos Defuntos por eles, pois morreram buscando uma vida melhor em outro lugar

O trabalho do missionário no Jibuti – como em muitos outros lugares do planeta – tem muitas facetas e o padre Mark Desser confessa não saber como se poderia resolver este problema da migração, porque é enorme. «É preciso mudar os corações para que as pessoas percebam que devemos ter as nossas necessidades econômicas satisfeitas, mas não viver exclusivamente para isso. Um país não vive do produto interno bruto, mas do que fazem as suas pessoas. Esta é a riqueza de um país. Quero que as pessoas possam trabalhar e não só sensibilizar, mas também educar nas escolas os jovens para o valor da vida. Essa é a raiz de toda a convivência.»’


Fonte :


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O Cardeal da Esperança

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 *Artigo do Cardeal Dom Orani João Tempesta, O. Cist.,
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


‘Na plenitude da vida, viver é um grande dom, uma dádiva que supera qualquer contingência humana. Hoje a irmã morte veio ao encontro deste grande ícone da esperança, da caridade, e da fraternidade cristã e franciscana seu nome Paulo Evaristo Arns, seguidor fiel das pegadas de Francisco e Clara de Assis, pautou sua vida no carisma do poverello de Assis, se fez frade menor, seguindo o ideal da fraternidade, esposo da pobreza, irmão dos pobres, o frei Paulo Evaristo foi antes de tudo um irmão, um homem da esperança.

A graça de Deus na sua infinita bondade o chamou ao ministério sacerdotal e o frade soube testemunhar eloquentemente o carisma franciscano assumindo com simplicidade o sacramento da ordem, assim foi vivendo e servindo a Igreja como um sacerdote animador do povo de Deus nas mais diversas frentes de atuação missionária, sua missão de frade sacerdote foi como que fermento na massa, sal e luz da terra, junto aos pobres e desvalidos soube ser presença libertadora. Foi um professor exemplar e exímio formador das novas gerações franciscanas.

A missão da Igreja é um dom que se perpetua de forma universal e sem fronteiras, foi assim que a Igreja elegeu este irmão sacerdote filho de são Francisco ao grau do episcopado. Eleito bispo, arcebispo e criado Cardeal da Santa Igreja Romana, Dom Paulo foi sinal de esperança e ternura, foi um DOM de Deus no coração da Igreja universal, especialmente para a Igreja Particular de São Paulo, que por mais de 3 décadas foi cardeal arcebispo da grande metrópole, deixando marcado no coração da paulicéia o seu carisma da esperança contra toda esperança humana. Eu o conheci quando eu, ainda jovem estudante religioso, residindo em São Paulo, na Região Episcopal Santana, onde D. Paulo Evaristo era o Bispo Auxiliar encarregado da área. Em suas visitas à Paróquia de Nossa Senhora das Graças, em Vila Nova Cachoeirinha, pude começar a conhecer esse grande homem com quem neste ano tive a graça de concelebrar a missa agradecendo pelos seus 50 anos de episcopado.

Seu episcopado foi marcado pela esperança evangélica, o Evangelho palavra viva e encarnada, foi sua inspiração e lema, o bispo e cardeal da esperança viveu seu ministério com tão grande zelo e dedicação, especialmente nos tempos obscuros da história do Brasil, em tempos de exceção, como não lembrar deste Cardeal encorajando, incentivando, acolhendo, protegendo e amparando seu povo das perseguições cruéis e desumanas, protegendo as suas ovelhas e fiel ao diálogo ecumênico e inter-religioso também protegendo os não católicos e a todos dando guarida misericordiosa. Dom Paulo Evaristo foi sem dúvida como que o Evangelho encarnado nesse cenário de crueldade e morte. Assim ele promoveu a vida, foi profeta da esperança, guiando e conduzindo seu rebanho ao jeito de são Francisco de Assis seu patriarca, e em tempos de tão grande perseguição política ideológica e desumana, este destemido Cardeal foi capaz de ir na contra-mão da história, remando contra a maré do sistema, ele foi o irmão de todo irmão, foi sinal vivo da esperança que acolhe, perdoa, anima e promove a vida ao jeito de Jesus cristo o eterno sacerdote.

No exercício pastoral de seu ministério episcopal incentivou a Igreja no Brasil, a alargar os horizontes da comunhão e participação ativa dos fieis leigos a caminhar em comunhão com seus pastores sendo protagonistas da ação missionária libertadora. Ele foi irmão dos pequenos e excluídos, dedicou-se incansavelmente pela causa dos oprimidos, defendeu a vida das crianças, incentivou e apoiou a fundação junto à sua irmã Zilda Arns a Pastoral da Criança no Brasil e que depois se expandiu para o resto do mundo. Dom Paulo Evaristo de fato foi um DOM especial para a Igreja no Brasil e no mundo inteiro, um DOM não somente de nome mais de vida e testemunho.

O Cardeal Paulo Evaristo Arns foi um profeta da esperança defendendo os mais pobres e necessitados e denunciando as injustiças usando o Evangelho como caminho de diálogo e de superação. Encarnou o Evangelho da Vida fazendo-se frade menor no meio dos menores e sempre foi uma presença luminosas nas periferias existências de São Paulo. Combateu o bom combate e permanecerá exemplo de justiça e de misericórdia para a Igreja e para todo o Brasil.

 Hoje acolhido no seio da irmã morte, recebido no coração de Deus, este Deus que o saudoso purpurado soube amar concretamente no rosto dos excluídos, este Deus que Dom Paulo Evaristo serviu tão perfeitamente quando acolheu a vocação franciscana, abraçando para toda a vida o carisma do Evangelho das bem aventuranças, foi o DOM Paulo irmão dos pequenos, Cardeal da esperança, profeta dos desprezados, promotor da vida, defensor dos direitos humanos, ícone da fraternidade e da paz.

Ao cumprimentar os meus veneráveis irmãos Cardeais, Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, e Dom Frei Cláudio Hummes, OFM, sucessor de Dom Paulo e Arcebispo Emérito de São Paulo, bem como todo os bispos auxiliares e todo o presbitério da Arquidiocese de São Paulo, assim como a amada gente de Piratininga e paulista, bem como a família Franciscana, em nome da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e meu próprio, quero apresentar a Deus a prece especial para que do céu Dom Paulo seja intercessor do Brasil que precisa de esperança, de justiça e de paz. Recebi a notícia enquanto celebrava a Eucaristia nesse horário e já coloquei no mesmo instante a intenção pelo repouso eterno do querido irmão que partiu.

Serão muitas histórias contadas sobre tão longevo cardeal, com muitos acontecimentos e fatos. Mas, sem dúvida, a grande razão de tudo o que D. Paulo realizou foi sua paixão pelo Cristo, por quem deu sua vida, e por causa d’Ele pela causa dos irmãos mais necessitados. Foi um homem de Deus que serviu a Igreja com alegria.

 Dom Paulo Evaristo Arns hoje recebe a coroa da glória eterna a ele reservado por tão nobre missão, que ficará eternamente gravado no coração da Igreja do Brasil e no mundo inteiro, foi um dom universal de Deus que ama, e que jamais será esquecido na vida de seu povo, povo que ele soube amar incansavelmente com a ternura e a paixão franciscana de ser e viver. Obrigado querido Dom Paulo Evaristo, nosso irmão, cardeal da esperança.’


Fonte :


domingo, 11 de dezembro de 2016

Padre Aplas : primeiro mártir dos Estados Unidos que serviu na Guatemala

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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‘Os Estados Unidos terão em breve o seu primeiro mártir beatificado pela Igreja Católica, pois o Papa Francisco assinou no dia 2 de dezembro o decreto no qual reconhece o martírio do Padre Stanley Francis Rother, natural da pequena população de Okarche, em Oklahoma, e assassinado na Guatemala em 1981, onde era conhecido como o Padre Aplas ou Padre Francisco.

Em Okarche, a paróquia, o colégio e as granjas eram os pilares da vida comunitária. O pequeno Stanley frequentou durante toda a sua vida o mesmo colégio e morou com a sua família até entrar no seminário.

Rodeado de bons padres e de uma intensa vida paroquial, Stanley sentiu desde muito jovem o chamado de Deus a ser sacerdote. Apesar disso, este jovem teve que lutar depois de ficar reprovado em muitos cursos antes de terminar os estudos do seminário Mount St. Mary’s, em Maryland.

Ao escutar as lutas do jovem Stanley, a irmã Clarissa Tenbrick, que foi sua professora quando estava na quinta série, escreveu-lhe para incentivá-lo e recordou que São João Maria Vianney, Padroeiro dos sacerdotes, também tinha experimentado esse tipo de lutas no seminário.

Eles eram homens simples que sentiram o chamado ao sacerdócio e alguém tinha que autorizá-los para que completassem os seus estudos e se tornassem sacerdotes’, disse em entrevista a ‘Catholic News Agency’, Maria Scaperlanda, autora do livro ‘The Shepherd Who Didn’t Run’, (O pastor que não saiu correndo), uma biografia deste mártir.

Eles trouxeram consigo bondade, simplicidade e um coração generoso em tudo o que faziam’, assegurou a autora.

Quando Rother ainda estava no seminário, o então Papa João XXIII pediu às dioceses dos Estados Unidos que enviassem assistência e estabelecessem missões na América Central.

Foi assim que as dioceses de Oklahoma City e Tulsa, também no estado de Oklahoma, estabeleceram uma missão em Santiago Atitlán (Guatemala), uma comunidade rural com poucos recursos, cuja população é principalmente indígena.

Poucos anos depois de ordenado, o Padre Rother aceitou o convite de se unir a esta equipe missionária, onde passaria os 13 anos seguintes de sua vida.

Ao chegar à missão dos índios maias de Tz’utujil, não tinham na vila um nome parecido a Stanley, por isso começaram a chamá-lo de Padre Francisco.

O sacerdote tinha aprendido quando era jovem, na granja da sua família, a ética de trabalho que serviria muito neste novo local. Como sacerdote missionário, foi chamado não só para celebrar a Missa e administrar os sacramentos, mas para ajudar em tarefas simples como consertar caminhões ou trabalhar nos campos.

Construiu uma cooperativa de agricultores, um colégio, um hospital e a primeira estação de rádio católica, a qual poderia levar catequese aos lugares mais afastados.

É surpreendente como Deus não esquece nenhum detalhe’, relata Scaperlanda. ‘O mesmo amor pela terra e esse pequeno povo onde todos se ajudavam entre eles, tudo o que aprendeu em Okarche é exatamente o que necessitou quando chegou a Santiago’, indica.

O Padre Francisco também era conhecido por sua amabilidade, o esquecimento de si mesmo, por ser uma pessoa alegre e por estar sempre presente entre seus paroquianos. Dezenas de fotos mostram crianças sorrindo e correndo atrás dele e segurando suas mãos’, afirma a autora.

O Padre Stanley tinha uma disposição natural a compartilhar o trabalho com eles, a partilhar o pão e a celebrar a vida com eles, o que fez com que a comunidade na Guatemala dissesse que o Padre Stanley ‘era nosso pai’’, diz sua biógrafa.

Com o passar dos anos, a violência da guerra civil da Guatemala chegou àquela que antes era uma aldeia pacífica. Logo começaram a fazer parte da vida diária os desaparecimento, os assassinatos e o perigo, mas o Padre Rother permaneceu firme e apoiando seu povo.

Nos anos de 1980 e 1981, a violência chegou a um ponto quase insuportável e o sacerdote via como seus amigos e paroquianos eram sequestrados ou assassinados.

Em uma carta aos católicos de Oklahoma durante aquele que foi o seu último Natal, o sacerdote compartilhou os perigos que enfrentava diariamente em sua paróquia e em sua missão.

 ‘A realidade é que estamos em perigo. Mas, não sabemos quando ou de que maneira o governo usará suas forças para reprimir a Igreja... Por esta situação, confesso que não estou pronto para sair daqui agora... mas se este é meu destino, eu daria minha vida por esta aqui (...) Ainda existe muito bem que pode ser entregue também sob estas circunstâncias’.

O sacerdote terminou a sua carta com a frase que se tornou aquela que, a partir de então, acompanharia a sua assinatura:

O pastor não pode sair correndo frente ao primeiro sinal de perigo. Reze por nós, para que possamos ser um sinal do amor de Cristo para nossa gente, para que nossa presença entre eles possa fortalecê-los para que eles suportem estes sofrimentos em preparação para o Reino de Deus que já chegará’.

Em janeiro de 1981, quando se encontrava em perigo e seu nome estava dentro de uma lista de supostos mortos, o Padre Stanley Rother voltou para Oklahoma por alguns meses. Mas, quando se aproximava a Páscoa, decidiu voltar e passar a Semana Santa com seu povo na Guatemala.

Na manhã do dia 28 de julho de 1981 e três ‘ladinos’ – homens que massacravam indígenas e camponeses da Guatemala desde a década de 1960 –, invadiram a reitoria.

Como não queria colocar em perigo a vida dos outros na missão da sua paróquia, o Padre Francisco lutou, mas não pediu ajuda. Depois de 15 minutos, escutaram dois tiros. Mataram o sacerdote e os assassinos foram embora da terra de missão.

Maria Scaperlanda, que trabalhou na causa de canonização do Padre Rother, afirma que o sacerdote é um bom testemunho e exemplo : ‘ele dava comida aos famintos, acolheu o forasteiro, visitou os doentes, consolou os aflitos, suportou pacientemente os desconfortos, sepultou os mortos’.

Sua vida também é um grande exemplo de como as pessoas que vivem uma vida ordinária são chamadas a fazer coisas extraordinárias por Deus’, assegura a biógrafa.

O que mais me impressionou da vida do Padre Stanley foi a sua simplicidade’, conclui.’


Fonte :


sábado, 12 de novembro de 2016

Um novo trabalho

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo de Padre Fernando Domingues,
Missionário Comboniano


‘Domingo à tarde. Entrei na igreja para me sentar a rezar e descansar um pouco, longe das reuniões, trabalhos a programar, coisas a fazer... Lá à frente estava alguém sentado com um terço na mão, óculos grossos, cabelo branco. Já de longe,  a impressão de já o ter visto em algum lado. Aproximei-me e reconheci um velho amigo que não via havia pelo menos treze anos. Tínhamos trabalhado no mesmo bairro-de-lata durante vários anos. Quantas lutas enfrentadas juntos, algumas desilusões e a alegria de ver as nossas comunidades cristãs a crescer naquele canto da África.

Depois da primeira surpresa, ele explicou : a idade, e uma doença que já não lhe permitia continuar lá. E agora?, perguntei. Foi-me confiado um novo trabalho, disse, e mostrando o terço que tinha na mão, ajuntou : este!

Para ele, era mesmo um trabalho sério, exigente, e tão necessário como os muitos outros trabalhos que tinha conseguido realizar quando as forças físicas lhe permitiam.

Nos dias a seguir àquele encontro, fui pensando no que aquele velho amigo me tinha dito, um trabalho importante! Mas para que serve, realmente?

Algumas respostas foram-me vindo, mesmo se me parecem ainda muito incompletas. Pensando nele e em outras pessoas desse gênero que tenho encontrado, parece-me que com aquela oração que fazem, muito mais abundante do que nós que continuamos num «trabalho normal», eles conseguem descobrir uma dimensão mais profunda em tudo. Até nos «cantos mais difíceis» da vida que vivem, eles conseguem ver uma graça de Deus. Descobrem sempre mais razões para dizer obrigado a Deus. A tal ponto que lhes começa a faltar tempo para se lamentarem. Têm sempre pessoas por quem rezar, amigos, conhecidos, gente de quem sabem notícias pela TV ou pela rádio, e que tanto precisam de um apoio espiritual, mesmo de muito longe...

Uma destas pessoas disse-me aqui há tempos : escrevi o teu nome numa das minhas listas, tenho uma para cada dia da semana!

Pessoas que assumem este «novo trabalho», com o tempo que passa, vão mudando as coisas que pedem a Deus : ao princípio pedem coisas pequenas : Deus, ajuda aquele rapaz a passar o exame!, faz passar a dor de cabeça àquele doente... Depois vão pedindo coisas mais importantes : ajuda-me a perdoar a mim mesmo o meu passado, e a encontrar a paz de coração, reforça a generosidade de quem se dedica aos que sofrem, converte o coração dos violentos, ilumina e dá força a quem trabalha pela paz no mundo...

Uma coisa que me impressiona sempre nestes rezadores é a certeza absoluta que eles têm de que não andam a perder tempo : a certeza de que as orações que oferecem a Deus com insistência e grande abundância vão certamente produzir frutos. Será quando e como Deus quiser, mas os frutos vão chegar com toda a certeza.

Há mesmo quem reze sem intenções particulares. Como me dizia uma destas pessoas : «Eu rezo e basta : Deus sabe melhor do que eu quem é que precisa da ajuda das minhas orações!»

Ao princípio, este «novo trabalho» não deve ser nada fácil, sobretudo para pessoas que sempre tiveram uma vida muito ativa e realizaram obras grandes. Penso naquele meu velho amigo missionário que encontrei com o terço na mão. Mas depois de algum tempo, é lindo ver estas pessoas que irradiam alegria e serenidade, com a certeza de que continuam a ter muito que dar a todos nós e ao nosso mundo.’
  

Fonte :


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O gesto do pobrezinho de Assis

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

A Palavra de Deus ao entrar no coração do ser humano, quer a conversão deste.
*Artigo de Padre Geovane Saraiva,
Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal


‘Quando o cristão percebe, à luz da palavra de Deus, que está envolvido com a misteriosa presença divina, acorda para uma consciência responsável e um ardor missionário. A Palavra de Deus, que é dom e graça, ao entrar no coração do ser humano, quer não só sensibilizá-lo, mas a conversão deste, na busca da solidariedade e da vivência da justiça, diante da dor e do sofrimento, exigindo daquele que se dispõe a seguir a Jesus de Nazaré um esforço constante de renovação da face da terra, num desejo de superação dos sinais de iniquidade tão presente no mundo.

Como é maravilhoso notar nas pessoas uma fé viva, lúcida e consequente! Nunca é demais repetir o atraente desafio no exemplo de São Francisco de Assis, no seu louco, apaixonado e ardoroso amor, totalmente voltado para Deus e suas criaturas. Vivemos na Igreja o momento dos festejos do Pobrezinho de Assis, o qual nos favorece a meditar na radical entrega do Filho de Deus. São dias abençoados, os quais faz-nos compreender em profundidade o célebre gesto de Francisco de Assis, voltar atrás, descer do cavalo e beijar o leproso, dizendo-nos do desafio de desmontar do cavalo, que é a nossa pouca solidariedade, orgulho, intransigência e intolerância.

Aquela voz indizível que inspirou Francisco de Assis, de ir restaurar a Igreja, a vemos muito nítida no Papa Francisco, nas suas generosas atitudes de humildade, sem esquecer da sua palavra profética, sempre causando impacto com uma boa notícia. A capela de São Damião, a Igreja Porciúncula e a Igreja de São Pedro, restauradas pelo grande Santo de Assis, representam a Igreja inteira e a própria humanidade, que, à luz da palavra de Deus, precisa mais do que nunca ser restaurada e renovada.

A indiferença, diante do clamor do mundo e da própria Igreja de Jesus Cristo em busca de socorro, é tarefa dos cristãos e de todas as pessoas de boa vontade. O mundo ficaria encantado e edificado com um gesto promissor de arauto da paz por muitos irmãos, ao dizer não a tudo que degrada, bem como a busca do poder, do ter e do prazer, quando percebemos uma acentuada tendência de se retornar ao luxo e à glória do mundo, mesmo dentro da Igreja. É nesse sentido que o Papa Francisco, não só surpreende, mas impressiona e causa admiração, pela simplicidade e proximidade com as pessoas e intimidade com o clamor do planeta.’


Fonte :

terça-feira, 15 de março de 2016

Missionários da Vida

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
*Artigo de Padre Bernardino Frutuoso,
Missionário Comboniano

‘O Papa Francisco, com os seus gestos simples, mas extremamente pedagógicos, não deixa de nos surpreender. Dias atrás, aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, ofereceu um «remédio espiritual» : a misericordina plus. Simbolicamente, foram distribuídas pequenas embalagens, como as dos medicamentos. Dentro, um terço e uma imagem de Jesus Misericordioso. A caixa foi distribuída por pobres, refugiados e sem-abrigo.

Um gesto semelhante ao que fez em 2013, mas que no contexto do Jubileu da Misericórdia assume novos significados. Em primeiro lugar, é um presente que nos convida à oração constante e a viver em atitude mística. Mas é, igualmente, um sinal do compromisso amoroso dos cristãos com a humanidade, chamados a «difundir o amor, o perdão e a fraternidade».

Nesse mesmo sentido, a Comissão Nacional Justiça e Paz desafia-nos, na mensagem para esta Quaresma, a uma atitude de conversão de vida e de ação solidária. O mundo contemporâneo é «profundamente assimétrico, inaceitavelmente desigual, marcado por níveis intoleráveis de injustiça e violência». Por conseguinte, é «urgente não ter medo de olhar e de ver, de ser capaz de prescindir e partilhar, de amar, de ser compassivo, de viver a misericórdia». E sublinha o organismo da Conferência Episcopal que estamos chamados a «combater a indiferença», a compreender a necessidade da ação solidária «perante a necessidade do vizinho, o silêncio do velho, a impotência da criança, a invisibilidade da diferença, a exclusão do estrangeiro, a injustiça da desigualdade».

Neste Ano Jubilar, o Papa Francisco convida-nos, na mensagem para a Quaresma, a «sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia». Obras de misericórdia corporais e espirituais, que «nunca devem ser separadas». Pois se, «por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais diretamente o nosso ser de pecadores : aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar».

É Páscoa. Proclamamos que a cruz e a morte não detêm a última palavra. Se Jesus não tivesse ressuscitado, estaria certamente no panteão dos heróis da humanidade, mas não teria uma comunidade de seguidores que lembram a sua memória. Mas Ele ressuscitou, está vivo. Por isso, os cristãos não celebramos com saudade o passado, mas festejamos com alegria a presença viva de uma Pessoa no nosso devir histórico. Um caminho de seguimento de Jesus Cristo que se vive na fé celebrada e partilhada. Que se expressa no serviço aos mais pobres e marginalizados da sociedade.

Na Páscoa semeamos esperança. Reafirmamos o nosso compromisso pela Vida. Comprometemo-nos a construir o Reino de Deus, pois reconhecemos que existem à nossa volta muitos crucificados pela pobreza, abandono, desespero. Anunciamos que somos Igreja em saída, como expressou o Papa Francisco : «Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas a uma Igreja enferma pelo fechamento e comodidade de se agarrar às próprias seguranças.» Cristo ressuscitado, nosso irmão de caminhada, envia-nos como audaciosos e alegres missionários da misericórdia e da Vida.’


Fonte :
* Artigo na íntegra


sábado, 16 de janeiro de 2016

Vida e agonia para os cristãos no Iêmen

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Padre Olmes Milani,
Missionário Scalabriniano


Os missionários e leigos das pastorais do Vicariato Sul da Arábia estiveram reunidos em Assembleia Anual, em Abu Dhabi, de 11 a 14 de janeiro de 2016, para fazer avaliações, projetos e partilhar notícias da caminhada das comunidades católicas na região. O Vicariato conta cinco escolas e oito igrejas paroquiais nos Emirados Unidos; quatro igrejas paroquiais no Sultanato de Omã e quatro igrejas destruídas no Iêmen. No Iêmen, as Irmãs da Caridade estão presentes em lugares atendendo, principalmente, crianças deficientes.

Sob a coordenação do Bispo Dom Paulo Hinder, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer o andamento de todos os trabalhos e a situação das comunidades cristãs católicas que se compõem, exclusivamente, de expatriados. Na região, existem também diversas comunidades árabes católicas de expatriados do Líbano, Síria, Iraque e Egito. Além de usar a língua árabe, celebram com os ritos melquita, bizantino, maronita e latino.

Alguns números revelam a vitalidade das comunidades. Em 2015, foram celebrados 2.662 batismos, 399 casamentos, 2.486 crianças receberam a Eucaristia pela primeira vez e 2.503 jovens, adolescentes e adultos receberam o Sacramento da Confirmação. No momento, 27.959 crianças participam da catequese em todo o Vicariato.

Contra toda a esperança devido à guerra, um missionário no Iêmen conseguiu estar presente na Assembleia, enquanto o outro não pode sair do lugar onde se encontra devido aos conflitos que assolam aquele país. O relato dos acontecimentos, da situação e seu testemunho comoveram a assembleia. Os dois sacerdotes salesianos que estão no país moram em lugares diferentes. Há muitos meses não podem encontrar-se. Cada um mora em regiões controladas por grupos armados diferentes. Sair para algum lugar sob o controle de outro grupo pode significar prisão e, talvez, morte.

 As quatro igrejas, praticamente destruídas, não oferecem a mínima condição de uso. O missionário celebra numa das quatro instituições onde trabalham as Irmãs da Caridade, fundadas pela Bem-Aventurada Madre Teresa de Calcutá. Além das irmãs, participam das missas duas, quatro ou seis pessoas. Não se sabe ao certo quantos cristãos ainda estão no país, mas tudo indica que são muito poucos.

As irmãs estão muito assustadas pelos bombardeios e pelos enfrentamentos das facções locais e das forças de coalizão. Mesmo assim, preferem continuar heroicamente no país assistindo, especialmente, as crianças.

Vale lembrar que no Iêmen, o cristianismo foi bastante florescente. Até já houve uma diocese com sede em Áden.

A guerra no Iêmen continua e não há perspectiva de até quando fará vítimas naquele país que, há décadas, sofre com a instabilidade política que reduziu sua população à miséria. O futuro do cristianismo é incerto. Espera-se a desejada paz e condições favoráveis para que possa voltar ao Iêmen.’


Fonte :


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Bem-aventurado Charles de Foucauld

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


 *Artigo da Dra. Isabel Orellana Vilches


Este missionário do Sahara, apóstolo dos Tuaregues, nasceu em Estrasburgo, França, em 15 de setembro de 1858. Sua origem aristocrática - visconde de Foucauld - atribuiu ao seu caráter a distinção esperada de alguém de sua descendência. Ficou órfão com 6 anos e cresceu, com a irmã Marie, sob os cuidados do avô, rumo à vida militar. Estudou com os jesuítas, mas os três anos que passou com eles, parecia não ter causado nenhum impacto em sua alma. A partir de seus 16 anos viveu afastado da fé. Como o filho pródigo, ele desperdiçou a herança, manchando sua existência com as sombras desse ambiente que lhe surgiu.

Em 1878, ele se juntou ao exército e dois anos mais tarde tornou-se primeiro oficial e foi servir em Setif, na Argélia. Deus não existia para ele. Outros interesses mundanos chamavam a sua atenção tanto que, no ano seguinte, a sua má conduta o levou à sua expulsão. A partir desse momento, teve uma vida muito agitada. Ele se tornou um explorador. Buscava intimamente uma resposta interior que o inquietava.

Ele participou da revolta de Bon Mama no Sul do Oran, estudou árabe e hebraico, e em 1883 iniciou uma expedição ao Marrocos pela qual foi condecorado com a medalha de ouro da Sociedade Geográfica; visitou a Argélia e a Tunísia. Foi uma viagem que preparou o seu espírito para ser fecundado pela graça divina. Ao ver como os muçulmanos viviam a fé, irrompeu de seu interior a seguinte oração : ‘Meu Deus, se existis, fazei que vos conheça’. Esta sinceridade e abertura foram o suficiente para que a luz divina penetrasse em seu coração. Em outubro de 1886, quando estava em Paris preparando o texto sobre sua viagem para o Marrocos, ele começou sua jornada espiritual tomado pela mão do Padre Huvelin. Obedecendo a suas instruções ele se confessou, apesar de se declarar incrédulo, e foi completamente renovado : ‘Quando acreditei que existia um Deus, compreendi que não podia fazer outra coisa senão viver somente para Ele’.

Durante sete anos o lugar dos Trapistas foi a sua casa. Impactado com a experiência, mas ainda não totalmente apto, foi para Roma estudar. Em 1896 deixou a comunidade trapista e foi peregrinar na Terra Santa, onde permaneceu com as Clarissas de Nazaré. Este foi outro momento importante para sua vida espiritual : ‘Não temos uma pobreza de convenção, mas a pobreza dos pobres. A pobreza que, na vida escondida, não vive de dons nem de esmolas nem de rendas, mas só do trabalho manual’, afirmou.

Depois de uma experiência quase eremítica, saboreando a riqueza da contemplação, retornou para a França, onde continuou seus estudos que o levaram à sua ordenação em 1901, em Viviers. Ele tinha 43 anos e uma ideia apostólica muito clara, que não hesitou em materializar : a evangelização do Marrocos. Incapaz de residir no país, como era o seu desejo, ele se estabeleceu o mais próximo possível, em Beni-Abbes, Argélia. Ele já estava convencido : ‘Farei o bem na medida em que for santo’. O espírito de sacrifício, a pobreza, o cuidado dos doentes e dos necessitados tornou-se o principal objetivo de sua vida, que inflamava em suas longas horas de adoração diante da Eucaristia : ‘A Eucaristia é Deus conosco, é Deus em nós, é Deus que se dá perenemente a nós, para amar, adorar, abraçar e possuir’. Sabia por experiência que ‘quanto mais se ama, melhor se reza’.

Entre 1904 e 1905 se estabeleceu em Tamanrasset com os Tuaregues do Hoggar argelino. Ele corajosamente realizou um trabalho formidável de inculturação, primeiramente, traduzindo em tuareg os Evangelhos e, no sentido inverso, traduzindo poesias tuareg para o francês. Ele é autor de um dicionário francês-tuareg e tuareg-francês, de uma gramática e de várias obras sobre esta tribo nômade. Este era o seu desejo : ‘Eu quero ser bom o suficiente para que digam : Se tal for o servidor, como então será o Mestre?’.

Em 1909 ele deu início a União de Irmãos e Irmãs do Sagrado Coração a fim de levar a fé à África. Nos onze anos em que viveu com os tuaregues se tornou um com eles, sem medir esforços, com a alegria de saber que assim cumpriria fielmente a missão para a qual ele sentiu-se chamado por Cristo. Ele amou aquele povo até o fim e ali entregou a sua vida. Dia 01 de dezembro de 1916 uma bala no meio de uma emboscada de bereberés deu fim a este grande apóstolo que foi beatificado por Bento XVI em 13 de novembro de 2005.

A influência de sua espiritualidade é encontrada em várias instituições : nos Irmãozinhos e Irmãzinhas de Jesus, nas Irmãs e os Irmãos do Evangelho, nas Irmãs de Nazaré, nas Irmãs do Sagrado Coração de Jesus, na Fraternidade Jesus Caritas e na Fraternidade Charles de Foucauld. 
  

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