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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

São Lucas, Evangelista

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

  
Nasceu em Antioquia da Síria, médico de profissão foi convertido pelo apóstolo São Paulo, do qual se tornou inseparável e fiel companheiro de missão. Colaborador no apostolado, o grande apóstolo dos gentios em diversos lugares externa a alta consideração que tinha por Lucas, como portador de zelo e fidelidade no coração. Ambos fazem várias viagens apostólicas, tornando-se um dos primeiros missionários do mundo greco-romano. Tornou-se excepcional para a vida da Igreja por ter sido dócil ao Espírito Santo, que o capacitou com o carisma da inspiração e da vivência comunitária, resultando no Evangelho segundo Lucas e na primeira história da Igreja, conhecida como Atos dos Apóstolos.

No Evangelho segundo Lucas, encontramos o Cristo, amor universal, que se revela a todos e chama Zaqueu, Maria Madalena, garante o Céu para o ‘bom’ ladrão e conta as lindas parábolas do pai misericordioso e do bom samaritano. Nos Atos dos Apóstolos, que poderia também se chamar Atos do Espírito Santo, deparamos com a ascensão do Cristo, que promete o batismo no Espírito Santo, fato que se cumpre no dia de Pentecostes, e é inaugurada a Igreja, que desde então vem evangelizando com coragem, ousadia e amor incansável todos os povos.

Uma tradição – que recolheu no séc. XIV Nicéforo Calisto, inspirado numa frase de Teodoro, escritor do séc. VI – diz-nos que São Lucas foi pintor e fala-nos duma imagem de Nossa Senhora saída do seu pincel. Santo Agostinho, no séc. IV, diz-nos pela sua parte que não conhecemos o retrato de Maria; e Santo Ambrósio, com sentido espiritual, diz-nos que era figura de bondade. Este é o retrato que nos transmitiu São Lucas da Virgem Maria : o seu retrato moral, a bondade da sua alma. O Evangelho de boa parte das Missas de Maria Santíssima é tomado de São Lucas, porque foi ele quem mais longamente nos contou a sua vida e nos descobriu o seu Coração. Duas vezes esteve preso São Paulo em Roma e nos dois cativeiros teve consigo São Lucas, ‘médico queridíssimo’. Ajudava-o no seu apostolado, consolava-o nos seus trabalhos e atendia-o e curava-o com solicitude nos seus padecimentos corporais. No segundo cativeiro, do ano 67, pouco antes do martírio, escreve a Timóteo que ‘Lucas é o único companheiro’ na sua prisão. Os outros tinham-no abandonado. O historiador São Jerônimo afirma que Lucas viveu a missão até a idade de 84 anos, terminando sua vida com o martírio. Por isso, no hino das Laudes rezamos : ‘Cantamos hoje, Lucas, teu martírio, teu sangue derramado por Jesus, os dois livros que trazes nos teus braços e o teu halo de luz’. É considerado o Padroeiro dos médicos, por também ele ter exercido esse ofício, conforme diz São Paulo aos Colossenses (4,14) : ‘Saúda-vos Lucas, nosso querido médico’.

São Lucas, rogai por nós!’ .


Fonte   :
* Artigo na íntegra de http ://santo.cancaonova.com/santo/sao-lucas-uma-figura-simpatica-do-cristianismo-primitivo/

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Santo André Kim Taegón, Presbítero e Paulo Chóng Hasang, e seus companheiros, Mártires

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


No início do século XVIII , a fé cristã entrou pela primeira vez em terras da Coréia, por iniciativa de alguns leigos, de cujo esforço, sem pastores, surgiu uma comunidade forte e fervorosa. Só em 1836 os primeiros missionários, vindos da França, entraram furtivamente no país. Nesta comunidade, floresceram, com as perseguições de 1839, 1846 e 1866, cento e três mártires, entre os quais sobressaem o primeiro sacerdote e ardoroso pastor de almas André Kim Taegón e o insigne apóstolo leigo Paulo Chóng Hasang, a que se juntaram muitos leigos, homens e mulheres, casados e solteiros, velhos, jovens e crianças. Todos eles consagraram com seu testemunho e sangue as primícias da Igreja coreana.




A Liturgia das Horas e a reflexão no dia de Santo André Kim Taegón, 
presbítero e Paulo Chóng Hasang, e seus companheiros, mártires :

Ofício das Leituras

Segunda leitura
Da última Exortação de Santo André Kim Taegón, presbítero e mártir
(Pro Corea. Documenta., ed. Mision Catholique Séoul,
Séoul-Paris 1938, Vol. I,74-75)        (Séc.XIX)

A fé é coroada pelo amor e a perseverança
Meus caríssimos irmãos e amigos, considerai como Deus no princípio dos tempos dispôs os céus, a terra e todas as coisas; meditai também com que especial intenção criou o ser humano à sua imagem e semelhança.

Se, pois, nesta vida de perigos e miséria, não reconhecermos o Criador, de nada nos servirá termos nascido e continuar vivendo. Já neste mundo pela graça divina, pela mesma graça recebemos o batismo, entrando no seio da Igreja e tornando-nos discípulos do Senhor. Mas, trazendo assim o precioso nome de cristãos, de que nos servirá tão grande nome, se na realidade não o formos? Seria inútil termos nascido e ingressado na Igreja se traíssemos o Senhor e a sua graça; melhor seria não termos nascido do que, recebendo a sua graça, pecarmos contra ele.

Considerai o agricultor ao lançar a semente no campo : primeiro, prepara a terra com o suor do seu rosto e depois joga a preciosa semente; chegando o tempo da colheita, alegra-se de coração com as espigas cheias, esquecendo seu trabalho e suor, e dançando de alegria; se porém as espigas permanecem vazias não sendo mais que palha e casca, o agricultor deplora o duro labor com que suou, sentindo-se tanto mais desesperado quanto mais trabalhou.
 
De modo semelhante, cultiva o Senhor a terra como seu campo, sendo nós os grãos de arroz; rega-nos com o seu sangue na sua Encarnação e Redenção para que possamos crescer e amadurecer; quando, no dia do juízo, vier o tempo da colheita, quem pela graça for achado maduro gozará o reino dos céus como filho adotivo de Deus. Quanto aos outros, que não amadureceram, tornar-se-ão inimigos, punidos para sempre, embora também tenham se tornado filhos adotivos de Deus pelo batismo.

Irmãos caríssimos, lembrai-vos de que nosso Senhor Jesus, descendo a este mundo, sofreu inúmeras dores e tendo fundado a Igreja por sua paixão, ele a faz crescer pelos sofrimentos dos fiéis. Apesar de todas as pressões e perseguições, os poderes terrenos não poderão prevalecer : da Ascensão de Cristo e do tempo dos apóstolos até hoje, a santa Igreja continua crescendo no meio das tribulações. Também nesta nossa terra da Coréia, durante os cinquenta ou sessenta anos em que a santa Igreja se estabeleceu aqui, os fiéis sempre sofreram perseguições. Hoje acendeu-se de novo a perseguição; muitos amigos são, como eu, lançados nos cárceres, enquanto também sofreis tribulações. Unidos num só corpo, como não ficarão tristes os nossos corações? Como, humanamente, não experimentarmos a dor da separação?

Deus, porém, como diz a Escritura, cuida de cada cabelo de nossa cabeça, e o faz com toda a sabedoria; portanto, como não considerar esta perseguição senão como permitida pelo Senhor, ou mesmo, seu prêmio ou, até, sua pena? Abraçai, pois, a vontade de Deus, combatendo de todo o coração pelo vosso chefe Jesus e vencendo o demônio, já vencido por ele.

Eu vos peço : não deixeis de lado o amor fraterno, mas ajudai-vos uns aos outros, perseverando até que o Senhor tenha piedade de nós e afaste a tribulação. Aqui somos vinte e, pela graça de Deus, todos ainda estão bem. Caso algum de nós venha a morrer, peço não negligenciardes a sua família. Muitas coisas teria ainda a dizer-vos, mas como posso exprimi-las em tinta e papel? Por isso vou terminar minha carta. Aproximando-se para nós a luta, peço-vos finalmente que caminheis com fidelidade, de modo que no céu nos possamos congratular. Deixo-vos aqui meu ósculo de amor.


Fonte :
‘In Liturgia das Horas IV’, 1295, 1297


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Martírio de São João Batista

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Bento XVI, Papa Emérito

‘...Celebra-se a memória do martírio de São João Baptista, o precursor de Jesus. No Calendário romano, é o único santo do qual se celebra tanto o nascimento, a 24 de Junho, como a morte ocorrida através do martírio. A memória hodierna remonta à dedicação de uma cripta de Sebaste, em Samaria onde, já em meados do século IV, se venerava a sua cabeça. Depois, o culto alargou-se a Jerusalém, às Igrejas do Oriente e a Roma, com o título de Degolação de São João Baptista. No Martirológio romano faz-se referência a uma segunda descoberta da preciosa relíquia, transportada naquela ocasião para a igreja de São Silvestre em Campo Márcio, em Roma.

Estas breves referências históricas ajudam-nos a compreender como é antiga e profunda a veneração de São João Baptista. Nos Evangelhos realça-se muito bem o seu papel em relação a Jesus. De modo particular, São Lucas narra o seu nascimento, a sua vida no deserto e a sua pregação, e no Evangelho de hoje São Marcos fala-nos da sua morte dramática. João Baptista começa a sua pregação sob o imperador Tibério, em 27-28 d.C., e o convite claro que ele dirige ao povo que acorre para o ouvir é que prepare o caminho para receber o Senhor, e endireitem as veredas tortas da própria vida através de uma conversão radical do coração (cf. Lc 3, 4). Contudo, João Baptista não se limita a pregar a penitência e a conversão mas, reconhecendo Jesus como ‘o Cordeiro de Deus’ que veio para tirar o pecado do mundo (cf. Jo 1, 29), tem a profunda humildade de mostrar em Jesus o verdadeiro Enviado de Deus, pondo-se de lado a fim de que Jesus possa crescer, ser ouvido e seguido. Como último gesto, João Baptista testemunha com o sangue a sua fidelidade aos mandamentos de Deus, sem ceder nem desistir, cumprindo a sua missão até ao fim. São Beda, monge do século IX, nas suas Homilias diz assim : ‘São João, por [Cristo] deu a sua vida; embora não lhe tenha sido imposto que negasse Jesus Cristo, só lhe foi imposto que não dissesse a verdade’ (cf. Hom. 23: ccl 122, 354). E ele dizia a verdade, e assim morreu por Cristo, que é a Verdade. Precisamente pelo amor à Verdade, não cedeu a compromissos nem teve medo de dirigir palavras fortes a quantos tinham perdido o caminho de Deus.

Nós vemos esta grande figura, esta força na paixão, na resistência contra os poderosos. Interroguemo-nos : de onde nasce esta vida, esta interioridade tão forte, tão recta e tão coerente, empregue totalmente por Deus e para preparar o caminho para Jesus? A resposta é simples : da relação com Deus, da oração, que é o fio condutor de toda a sua existência. João é o dom divino longamente invocado pelos seus pais, Zacarias e Isabel (cf. Lc 1, 13); uma dádiva grande, humanamente inesperada, porque ambos eram de idade avançada e Isabel era estéril (cf. Lc 1, 7); mas a Deus nada é impossível (cf. Lc 1, 36). O anúncio deste nascimento verifica-se precisamente no contexto da oração, no templo de Jerusalém; aliás, acontece quando Zacarias recebe o grande privilégio de entrar no lugar mais sagrado do templo para fazer a oferta do incenso ao Senhor (cf. Lc 1, 8-20). Também o nascimento de João Baptista é marcado pela oração : o cântico de alegria, de louvor e de acção de graças que Zacarias eleva ao Senhor e que nós recitamos todas as manhãs nas Laudes, o ‘Benedictus’, exalta a obra de Deus na história e indica profeticamente a missão do filho João: preceder o Filho de Deus que se fez carne, para lhe preparar as estradas (cf. Lc 1, 67-79). Toda a existência do precursor de Jesus é alimentada pela relação com Deus, de modo particular o período transcorrido em regiões desertas (cf. Lc 1, 80); as regiões desertas que são lugares de tentação, mas também lugares onde o homem sente a própria pobreza, porque desprovido de apoios e certezas materiais, e compreende que o único ponto de referência sólido permanece o próprio Deus. Mas João Baptista não é apenas um homem de oração, do contacto permanente com Deus, mas também um guia para esta relação. Citando a oração que Jesus ensina aos discípulos, o ‘Pai-Nosso’, o evangelista Lucas anota que o pedido é formulado pelos discípulos com estas palavras : ‘Senhor, ensinai-nos a rezar, como também João ensinou aos seus discípulos’ (cf. Lc 11, 1).

Caros irmãos e irmãs, celebrar o martírio de São João Baptista recorda-nos, também a nós cristãos deste nosso tempo, que não se pode ceder a compromissos com o amor a Cristo, à sua Palavra e à Verdade. A Verdade é Verdade, não existem compromissos. A vida cristã exige, por assim dizer, o ‘martírio’ da fidelidade quotidiana ao Evangelho, ou seja, a coragem de deixar que Cristo cresça em nós e que seja Cristo quem orienta o nosso pensamento e as nossas acções. Mas isto só se verifica na nossa vida se a nossa relação com Deus for sólida. A oração não é tempo perdido, não é roubar espaço às actividades, inclusive às obras apostólicas, mas é precisamente o contrário: se formos capazes de ter uma vida de oração fiel, constante e confiante, o próprio Deus dar-nos-á a capacidade e a força para viver de modo feliz e tranquilo, para superar as dificuldades e testemunhá-lo com coragem. São João Baptista interceda por nós, a fim de sabermos conservar sempre o primado de Deus na nossa vida.’


Fonte :
* Artigo na íntegra de http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2012/documents/hf_ben-xvi_aud_20120829_po.html

domingo, 17 de agosto de 2014

Servir com alegria

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 *Cardeal Dom Orani João Tempesta, O. Cist.,
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


‘Celebramos dentro do mês vocacional, no dia 15 de agosto a memória de São Tarcísio. Sabemos do exemplo de vida e seu martírio. Devido ao tipo de ocorrência na vida deste santo, também comemoramos o dia do coroinha. Neste final de semana a nossa arquidiocese tem um grande encontro com todos eles. Alguns se especializaram como cerimoniários como tivemos ocasião de acolher e enviar para essa missão. Porém são inúmeros os acólitos ou ministrantes. São muitas formas que existem para que o jovem e adolescente participe da comunidade. Uma delas é justamente o Serviço do altar.

Agradeço a Deus o trabalho silencioso e voluntário de tantos jovens que se dedicam a auxiliar o presidente da celebração Eucarística a atualizar os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Cristo. Os coroinhas devem se observar para que exerçam sua função com sobriedade, piedade, discrição, zelo e amor. Devem participar de forma ativa das celebrações, vivendo-a, e apenas a partir desta experiência e testemunho poderão servir como se deve.

Os acólitos, ainda que não instituídos, são todos aqueles que servem ao celebrante e os diáconos na missa; são os acólitos que exercem as funções de turiferário, naviculário, cruciferário, ceroferários, baculífero, mitrífero, librífero, etc. Alguns desempenham também a função de cerimoniários para a qual foram preparados e enviados.

Na Eucaristia Jesus se coloca junto dos seus discípulos (como em Emaús) para esquentar os seus corações e supõe que nós devemos nos abrir para enxergar e viver a Eucaristia que celebramos e comungamos. O Senhor quer nos falar: nós sabemos que o Senhor quer nos falar, que arde a sua voz em nosso coração. Por isso o coroinha deveria ser o primeiro ouvinte da Palavra e o mais atento participante da fração do Pão, mistério de nossa fé.Na celebração da Santa Missa é o Senhor Ressuscitado que nos fala, que nos admoesta, que aquece nossos corações e nos motiva a não desanimarmos diante das dificuldades, das incompreensões, porque o Senhor está presente em nossa vida, em nossa história, na partilha que anima a nossa missão.

Por isso elevamos a Deus o agradecimento sincero pelo trabalho voluntário e zeloso de nossos coroinhas nesta importante missão do altar. Em primeiro lugar, lembrar da dignidade do ministério que estão assumindo, participando vivamente da Eucaristia, sendo sacrário na sua vida pessoal e dando testemunho do Ressuscitado, o que supõe que sejam os primeiros a viverem a Eucaristia, e auxiliando em sua celebração, como primeiros colaboradores do presidente, e pelo seu decoro e exemplo animar nossas comunidades na pureza de alma, de comportamento, de dignidade e de sobriedade da celebração.O Cristo é sempre o centro da Eucaristia. Vamos participar melhor da celebração da Santa Missa. Por isso os coroinhas devem ser testemunhas de Cristo, vivenciando com Ele e como Ele nos ensinou a viver o Evangelho. A beleza e a austeridade da liturgia sagrada nos transformam em evangelizadores. A missão é bem celebrar para que o povo participe melhor e mais piedosamente.

Louvo a Deus ao ver nossos adolescentes e jovens próximos do altar e servindo com alegria. A ação litúrgica necessita de vários colaboradores para que Deus seja dignificado pela celebração litúrgica. Que os coroinhas tenham amor pela Sagrada Liturgia e que a santidade seja sempre a meta a ser atingida por aqueles que estão perto do Senhor na celebração a serviço da comunidade. Que estejam a serviço de Cristo e da Igreja. E assim caminhem na correspondência da graça de Deus na busca da santidade.’


Fonte :
* Artigo na íntegra de http://www.news.va/pt/news/servir-com-alegria


domingo, 1 de junho de 2014

Santos Marcelino e Pedro, Mártires

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


O martírio dos dois, sofrido durante a perseguição de Diocleciano, é atestado pelo papa São Dâmaso que obteve essa informação do próprio carrasco. Foram decapitados num bosque, mas seus corpos foram transladados e sepultados no cemitério Ad duas lauros, na via Labicana. Sobre o sepulcro de ambos foi construída uma basílica depois que a Igreja obteve a paz
  
A Liturgia das Horas e a reflexão no dia
dos Santos Marcelino e Pedro, Mártires :

Ofício das Leituras

Segunda leitura
Da Exortação ao martírio, de Orígenes, presbítero
(Nn. 41-42: PG 1,618-619)      (Séc. III)

Aqueles que participam dos sofrimentos de Cristo,
participarão também da consolação que ele dará
Se passamos da morte para a vida (1Jo 3,14), ao passarmos da infidelidade para a fé, não nos admiremos se o mundo nos odeia. Com efeito, quem não tiver passado da morte para a vida, mas permanecer na morte, não pode amar aqueles que abandonaram a tenebrosa morada da morte, para entrar na morada feita de pedras vivas, onde brilha a luz da vida.

Jesus deu a sua vida por nós (1Jo 3,16); portanto, também nós devemos dar a vida, não digo por ele, mas por nós, quero dizer, por aqueles que serão construídos, edificados, com o nosso martírio.

Chegou o tempo, cristãos, de nos gloriarmos. Eis o que está escrito : E não só isso, pois nos gloriamos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada, desabrocha em esperança; e a esperança não decepciona. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Rm 5, 3-5).

Se, à medida que os sofrimentos de Cristo crescem para nós, cresce também a nossa consolação por Cristo (2Cor 1,5), acolhamos com entusiasmo os sofrimentos de Cristo, o que eles sejam muitos em nós, se desejamos realmente obter a grande consolação reservada para todos os que choram. Talvez ela não seja igual medida para todos. Pois se assim fosse não estaria escrito : à medida que os sofrimentos de Cristo crescem em nós, cresce também a nossa consolação.

Aqueles que participam dos sofrimentos de Cristo, participarão também da consolação que ele dará em proporção aos sofrimentos suportados por seu amor. É o que nos ensina aquele que afirmava cheio de confiança : Assim como participais dos sofrimentos, participareis também da consolação (cf. 2Cor 1,7).

Da mesma forma Deus fala através do Profeta : No momento favorável, eu te ouvi e no dia da salvação, eu te socorri (cf. Is 49,8; 2Cor 6,2). Haverá, por acaso, tempo mais favorável do que essa hora, quando por causa do nosso amor a Deus em Cristo somos publicamente levados prisioneiros neste mundo, porém mais como vencedores do que como vencidos?

Na verdade, os mártires de Cristo, unidos a ele, destroçam os principados e as potestades, e com Cristo triunfam sobre eles. Deste modo, tendo participado de seus sofrimentos, também participam dos merecimentos que ele alcançou com a sua coragem heroica. Que outro dia de salvação haverá tão verdadeiro como aquele em que deste modo partireis da terra?

Rogo-vos, porém, que não deis a ninguém motivo de escândalo, para que o nosso ministério não seja desacreditado; mas em tudo comportai-vos como ministros de Deus, com grande paciência (cf. 2Cor 6,3-4), dizendo : E agora, Senhor, que mais espero? Só em vós eu coloquei minha esperança! (Sl 38,8).

     
Fonte  :
‘In Liturgia das Horas II’, 1613, 1615


segunda-feira, 24 de março de 2014

Estevão



Este artigo, gentilmente cedido por Dom Lourenço Palata Viola, OSB,
monge beneditino do Mosteiro de São Bento de São Paulo,
faz parte de sua palestra proferida no retiro anual dos oblatos 
(capítulo 3 de 5)


Seremos acompanhados pelo protomártir Estevão, aquele que primeiro teve a honra de testemunhar sua fé através da efusão de seu sangue a semelhança de Jesus Cristo.

Sabemos pelo relato de São Lucas que o número dos que aderiam à fé aumentava a cada dia e assim os apóstolos já não estavam mais conseguindo atender a todos aqueles que desejavam escutar a Boa Nova da Salvação. Estevão é um dos sete homens cheios de fé e do Espírito Santo que foram escolhidos pela comunidade de Jerusalém tendo em vista auxiliar o grupo apostólico no anúncio da Palavra e na prática da caridade.

Particularmente tudo isso efetuou-se devido ao caso das viúvas de língua grega que diziam “não mais estarem sendo assistidas no serviço diário” (At 6,1), ou seja, sabemos que os apóstolos tinham um maior domínio sobre o aramaico e nessa língua proferiam suas pregações, assim sendo, o serviço diário das viúvas, as quais se reuniam num grupo a parte conforme as divisões e costumes não apenas para comerem, mas também para serem instruídas sofria as consequências dessa disparidade linguística e as mesmas não conseguiam entender as instruções ministradas pelos apóstolos achando-se assim privadas da Boa Nova. 

Estevão, assim como os outros seis “homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (At 6,3) são portadores de nomes de origem grega, e ainda mais, um deles, Nicolau era proveniente de Antioquia, e portanto, era um judeu convertido da Diáspora. Esses homens seriam testemunhas da fé, teriam como missão proclamar a Palavra aos não crentes, aqueles que estão às mesas e não no Templo, ofereceriam a Palavra de Deus e professariam a Fé até mesmo com o derramamento de seu sangue, se necessário fosse, como no caso de Estevão.

Coroado, eis o significado do nome daquele que foi a primeira testemunha a destacar-se no Livro dos Atos (citado sete vezes) sem ser do grupo dos apóstolos, e de quem recebemos um claríssimo exemplo de eficaz testemunho da fé (martyria).

Um dos propósitos do Ano da Fé era reascender no coração dos cristãos a necessidade do surgimento e ou uma renovação do testemunho da Fé em nossas vidas. Assim sendo o exemplo deste mártir, o qual deu um valoroso testemunho da divindade de Jesus Cristo diante da Sinagoga dos judeus e ao proclamar a verdade irritou seus ouvidos tornando os inimigos do Evangelho seus próprios inimigos a ponto de o condenarem a uma chuva de pedras mortíferas, nos encoraja a vivenciarmos, como nos diz o Papa Francisco em sua Encíclica Lumen Fidei “a convicção de uma fé que faz grande e plena a vida, centrada em Cristo e na força de sua graça. Era essa convicção que animava a missão dos primeiros cristãos (...) para os quais a fé, enquanto encontro com Deus vivo que se manifestou em Cristo, era uma “mãe”, porque os fazia vir a luz, gerava neles a vida divina, uma nova experiência, uma visão luminosa da existência, pela qual estavam prontos a dar testemunho até o fim” (Francisco, Lumen Fidei, 5).

Todos nós somos impulsionados pela caridade de Cristo. (cf 2Cor 5,14)

 Ao passarmos pela porta da fé no momento de nosso batismo passamos a fazer parte do rebanho do bom pastor, mas é sempre também através desta porta que somos enviados a testemunhar a fé. 

Pela porta da fé passamos tanto ao entrar quanto ao sair; ao entrar porque decidimos estar com o Senhor para vivermos com Ele; ao sairmos porque a fé exige de nós um testemunho e um compromisso públicos.

Não podemos nunca perder a consciência de que o acreditar não é um fato privado. O Ressuscitado nos constitui testemunhas de sua ressureição dentro de uma comunidade, a Igreja. Por isso acreditamos na Igreja e com a Igreja, tornando-nos assim sal e luz no mundo, imagens de Cristo não temerosas e apagadas, mas sim bem visíveis para todos!         

A vida de Estevão configurou-se plenamente com a de Cristo, todo seu ministério e principalmente o processo injusto e mentiroso feito pelo sinédrio para tramarem sua morte o conduziram a doutrina perfeita da caridade, imitando em tudo o Mestre inclusive sua última oração: “Senhor, não lhes imputeis este pecado” (At 7,60).

O martírio é um ato supremo de coragem e de verdadeira prudência, o qual aos olhos do mundo pode parecer uma loucura. Os mártires revelam-nos as possibilidades da natureza que se abre a força de Deus e assinalam um modelo, real e simbólico ao mesmo tempo, para o comportamento de cada um de nós, discípulos e discípulas de Jesus Cristo.

Nenhum exemplo é mais útil para instruir ao Povo de Deus que o dos mártires. A eloquência é fácil de impetrar, a razão é eficaz para persuadir. Não obstante, valem mais os exemplos que as palavras, e ensina-se melhor com as obras que com as palavras” (S. Leão Magno, Homilia na festa de S. Lourenço).

Encerrando esta meditação, faço presentes as palavras da Lumen gentium que tão belamente nos apresenta o dom do martírio, testemunho de fé para o qual todos devemos estar dispostos: “Como Jesus, Filho de Deus, manifestou o seu amor dando a vida por nós, assim ninguém dá maior prova de amor do que aquele que oferece a própria vida por Ele e por seus irmãos (cfr. 1 Jo. 3,16; Jo. 15,13). Desde os primeiros tempos, e sempre assim continuará a suceder, alguns cristãos foram chamados a dar este máximo testemunho de amor diante de todos, e especialmente perante os perseguidores. Por esta razão, o martírio, pelo qual o discípulo se torna semelhante ao mestre, que livremente aceitou a morte para salvação do mundo, e a Ele se conforma no derramamento do sangue, é considerado pela Igreja como um dom insigne e prova suprema de amor. E embora seja concedido a poucos, todos, porém, devem estar dispostos a confessar a Cristo diante dos homens e a segui-lo no caminho da cruz em meio das perseguições que nunca faltarão à Igreja” (LG 42).

- At 6; 7

* Testemunho verdadeiramente minha Fé? Sou imagem de Jesus Cristo no meio do mundo?

* Minhas atitudes condizem com aquilo que meu coração recebeu e minha boca professa?

* Estou disposto a ser mártir ou sou prefiro ser juiz?



sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Santa Cecilia, virgem e mártir

Por Maria Vanda (Ir. Maria Silvia, Obl. OSB)
 
 

Oração a Santa Cecília

Ó Virgem e mártir, Santa Cecília, pela fé viva que vos animou desde a infância, tornando-vos tão agradável a Deus e ao próximo, merecendo a coroa do martírio, convertendo pagãos ao cristianismo, alcançai-nos a graça de progredir cada vez mais na fé e professá-la através do testemunho das boas obras, especialmente servindo aos irmãos necessitados. Alcançai-nos também a graça de sempre louvar a Deus com canções espirituais. 
 
Gloriosa Santa Cecília, que os vossos exemplos de fé e virtude sejam para todos nós um brado de alerta, para que estejamos sempre atentos à vontade de Deus, na prosperidade como nas provações, no caminho do céu e da salvação eterna.  
 
Santa Cecília, padroeira dos músicos e artistas, rogai por nós.’ Amém.

Fonte :
 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

São Josafá

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


A Liturgia da Horas e a reflexão no dia de São Josafá :

  Ofício das Leituras

 Segunda leitura 
Da Encíclica Ecclesiam Dei, de Pio XI, papa
(AAS 15[1923], 573.576-577)            (Séc.XX) 

Derramou o seu sangue pela unidade da Igreja
A Igreja de Deus por admirável desígnio foi constituída de forma a ser, na plenitude dos tempos, semelhante a imensa família, abraçando a totalidade do gênero humano; e, por dom de Deus, sabemos ser ela visível não só por suas notas principais, como também pela unidade universal. 

De fato, Cristo Senhor não apenas confiou somente aos apóstolos o dom que ele próprio recebera do Pai, ao dizer: Todo o poder me foi dado no céu e na terra; ide, pois, ensinai a todos os povos (Mt 28,18-19); mas também quis que o grupo dos apóstolos fosse em sumo grau um colégio só, duplamente ligado por estreito vínculo: intrinsecamente pela mesma fé e caridade,  infundida em nossos corações pelo Espírito Santo(cf. Rm 5,5); extrinsecamente, pelo governo de um só sobre todos, ao entregar o principado a Pedro qual perpétuo princípio e visível fundamento da unidade. 

Para que se mantivesse para sempre esta unidade e concórdia, Deus de suma providência consagrou-a com o sinete da santidade e do martírio.  

Este grande louvor obteve-o o arcebispo de Polock, Josafá, de rito eslavônio oriental; com toda a razão o saudamos como honra insigne e coluna dos eslavos orientais. Com efeito, mal se encontra quem tenha mais ilustrado o nome deles ou servido melhor a sua salvação, que este pastor e apóstolo, mormente ao derramar o sangue pela unidade da santa Igreja. Além disto, sentindo-se divinamente impelido à reintegração universal na unidade santa, compreendeu que a melhor contribuição a dar seria guardar o rito oriental eslavônio e o monaquismo basiliano na unidade da Igreja universal. 

         Entrementes, solícito em primeiro lugar pela união de seus concidadãos com a cátedra de Pedro, buscava por toda a parte com empenho todos os argumentos que pudessem promovê-la ou confirmá-la. De modo especial, folheava assiduamente os livros litúrgicos usados pelos orientais e pelos dissidentes, segundo as ordenações dos santos padres. Preparado tão diligentemente, iniciou o trabalho de refazer a unidade, com tanto vigor e suavidade e com tanto êxito, que pelos próprios adversários foi chamado de “raptor de almas”.
 

Fonte :
‘In Liturgia das Horas IV’, pg. 1448 a 1449
http://liturgiadashoras.org/oficiodasleituras/saojosafa.html