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domingo, 15 de julho de 2018

A chave do céu


Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


 ANTIQUE KEYS
*Artigo via Vera Fidei


‘Cada vez que passava em frente ao convento dos franciscanos de sua pequena cidade, Lourenço sentia o coração bater mais forte. Gostava de ficar ouvindo do lado de fora o canto suave dos frades, vindo da igreja. Aquelas melodias angélicas, cheias de uma paz que não era deste mundo, pareciam provir do Céu. Outras vezes, ficava espiando os monges enquanto trabalhavam na horta e pensava : ‘Como eles são alegres! O irmão cozinheiro, carregando tomates, é mais feliz que os meus arrogantes companheiros se exibindo pela rua em seus ruidosos carros’.

Aos domingos, Lourenço assistia à pregação e depois meditava nas palavras do frade de feições austeras e voz possante : ‘Lembrai-vos sempre, irmãos, que mais importa guardar tesouros no Céu ao invés de multiplicá-los na Terra. O Senhor nos ensinou : ‘De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder sua própria alma?’. Vede o exemplo de nosso pai São Francisco : soube ser pobre em espírito’.

Um dia, não resistiu e perguntou a um franciscano :

– O que devo fazer para morar aqui?

O bom religioso deu-lhe uma resposta muito simples :

– Para viver abrigado por estas santas paredes é preciso desejar acima de tudo o Reino dos Céus, abraçando a pobreza em espírito, como fez Jesus.

Uma semana depois, o jovem, carregando apenas uma malinha, entrava no convento para não mais sair. Pediu para ser irmão leigo, pois queria viver só para Deus, servindo os frades.

O mestre de noviços, que passou a acompanhá-lo, se encantava com o exemplo do Irmão Lourenço. Ninguém varria o chão ou lavava os pratos com maior entusiasmo; todas as suas ações pareciam uma prece.

Um dia, Irmão Lourenço notou o hábito de um frade em mau estado, e comentou :

– Vejo que sua manga está rasgada. Quer que a costure? Senão, quando o irmão for para as missões, as pessoas vão reparar. Somos pobres, mas dignos, e não fica bem usar um hábito rasgado… Se me permitir prestar-lhe tal serviço me estará concedendo uma graça, pois sou um pecador e tenho faltas a reparar.

– Mas tu sabes costurar?

– Não muito bem… Porém, minha mãe é costureira e com ela aprendi algumas lições do ofício.

– Está bem – concluiu o frade -, vamos ver como sai o serviço.

Surpreendendo a todos, Irmão Lourenço fez um trabalho exímio. A cada ponto com a agulha tinha rezado uma jaculatória pedindo que a Santíssima Virgem de Nazaré costurasse por ele. Quando acabava a linha, rezava uma Ave-Maria. Dessa forma, cerziu a manga inteira, deixando-a como se fosse nova.


A notícia se espalhou pelo convento. Não demorou muito em aparecer o irmão cozinheiro com uma roupa queimada, quase perdida por causa de um forno muito forte. Também o irmão porteiro veio mostrar um buraco no seu hábito que, embora escondido, já estava ficando grande. Até mesmo certo frade estrangeiro, hospedado ali por alguns dias, pediu ao irmão que desse um jeitinho em sua velha vestimenta. Os hábitos voltavam cosidos, limpos e perfumados.

O superior se alegrou com a descoberta. Admirado ao ver a despretensão daquele filho, logo notou a assiduidade de suas visitas ao Santíssimo Sacramento. ‘É por isso que tudo faz com tanto primor’, pensava.

Passados alguns meses, ele percebeu que os dotes de Irmão Lourenço podiam ir além da habilidade de fazer remendos.

– Quer tentar fazer um hábito inteiro? – perguntou-lhe.

– Se com isso eu puder dar glória a Deus, perfeitamente!

A experiência foi coroada de êxito. Das mãos ‘orantes’ daquele religioso, começaram a sair maravilhas acima das expectativas. Nelas a tesoura tomava vida e corria pelo tecido marrom em traçados tão certeiros, que o melhor dos alfaiates não poderia superar. Os hábitos continuavam modestos, mas possuíam algo de especial : a marca do amor com que o irmão os fazia.

Passaram-se os anos. Por vezes, a quantidade de pedidos o levava a dormir muito pouco, a perder as horas de recreação, e ele sentia a tentação de julgar que assim também já era demais… Mas logo pensava que Deus o chamara para glorificá-Lo daquela forma, e esse motivo o levava a dedicar-se por inteiro, redobrando as orações.

Irmão Lourenço tornou-se um homem maduro e, com o tempo, um ancião. Seus cabelos ficaram prateados, mas nem por isso deixou de atender os pedidos de remendos e costuras.

A comunidade o estimava e admirava. Muitos frades famosos, pregadores em santuários e professores em universidades, gostavam de estar com ele, formando rodas animadas de conversas sobre o Seráfico São Francisco, Santa Clara e outros heróis da Ordem. Irmão Lourenço atraía a todos, falando só sobre coisas do Céu. E era para lá que caminhava…

O implacável peso dos anos trouxe-lhe uma febre incurável, que começou a consumi-lo. Pressentindo a partida desta vida, ele pediu os Sacramentos e passou a falar cada vez menos. Rezava muito e pensava no encontro com Deus.

Numa madrugada gélida de inverno, Frei Lourenço parecia não resistir mais. O sino do convento chamou a comunidade para acompanhar o querido irmão, em seus últimos momentos. Ajoelhados, rezavam a oração dos agonizantes. De repente, um fio de voz quase imperceptível foi ouvido. Era Irmão Lourenço que pedia :

– Tragam-me a chave… a chave do Céu…

Os frades não entenderam. Qual seria essa ‘chave do Céu’? Um deles saiu correndo rumo à biblioteca e voltou com um livro chamado A chave do Céu. Colocaram-no diante do moribundo, mas ele não se interessou. Apenas repetiu :

– Eu quero… a chave… a chave do Céu…

O superior mandou que trouxessem uma relíquia de São Francisco, à qual o enfermo tinha muita devoção. Mas ele seguia com seu raro pedido…

Então, a fisionomia de um irmão se iluminou. Cruzou rapidamente os corredores e voltou com a agulha de Irmão Lourenço. Ao vê-la, este esboçou um sorriso e disse :

– Sim, esta é minha chave do Céu! – e expirou.

* * *
 

Sem ser grande aos olhos do mundo, nem receber recompensa por seus serviços, Irmão Lourenço se santificara com uma agulha na mão, trabalhando por amor a Deus. Para cada um a Providência tem preparada uma ‘chave’ que lhe abrirá o Céu. Trata-se de saber cumprir sua vontade e seus desígnios. ‘Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus’ (Mt 5, 3).’


Fonte :

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Por que monges e freiras usam cores diferentes – Parte 2

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Philip Kosloski,
escritor e designer gráfico


‘Depois de falar dos beneditinos e dos carmelitas, prosseguimos agora com os franciscanos e os dominicanos.

Franciscanos

Jeffrey Bruno / Aleteia


Fundada no século XIII por São Francisco de Assis, a família franciscana é grande, com numerosas comunidades religiosas, conventuais e apostólicas, inspiradas no Pobrezinho de Assis. O hábito franciscano é simples : consiste em uma túnica (às vezes com escapulário) e pode ser marrom, preto, cinza ou ainda de outras cores, cada uma com seu próprio simbolismo, dependendo do ramo franciscano em questão. O que São Francisco escolheu foi simplesmente o tecido mais pobre da época – aliás, a sua própria roupa tinha remendos de cores diferentes.

No geral, o hábito franciscano é cingido por uma corda com três ou quatro nós, que simbolizam os votos de pobreza, castidade e obediência e um voto mariano extra. É comum que a corda esteja acompanhada de um grande rosário. Essa corda talvez seja o mais distintivo elemento do hábito franciscano : se você vir uma corda em algum hábito religioso, é provável que se trate de alguém com raízes na espiritualidade franciscana. Os frades capuchinhos são um dos ramos mais conhecidos da família franciscana, enquanto os Frades Franciscanos da Renovação são uma comunidade relativamente nova e em notável crescimento.

Entre os mais famosos santos franciscanos estão, além do próprio Francisco, Santa Clara de Assis, São Boaventura e Santo Antônio. A Madre Angélica, fundadora da rede televisiva católica EWTN, fundou seu próprio mosteiro de clarissas, freiras da grande família franciscana. A Ordem Terceira, ou leigos franciscanos, incluiu nomes da envergadura histórica de Dante Alighieri, Santa Isabel da Hungria, Louis Pasteur e o beato Frederico Ozanam, fundador da Sociedade de São Vicente de Paulo.


Dominicanos

Provincia di St. Joseph

Fundada por São Domingos na mesma época do nascimento dos franciscanos, a ordem dominicana costuma ser a mais fácil de identificar : seu hábito e seu escapulário são brancos e os homens usam capuz enquanto as freiras usam véu preto, o que, tal como no caso dos beneditinos, configura a única diferença entre os hábitos dominicanos para homens e para mulheres. Em determinadas ocasiões, eles usam uma capa preta sobreposta ao hábito. O branco simboliza a pureza da vida de Cristo e, de modo semelhante aos beneditinos, o preto indica a penitência, a mortificação e a morte ao pecado. Eles também usam um cinto de couro com um grande rosário. Aliás, é esse rosário o que ajuda a identificar os dominicanos entre as outras famílias religiosas que usam branco.

A ordem dominicana também é bastante associada a um alto nível na formação intelectual. Nos Estados Unidos, por exemplo, é muito respeitada a Casa Dominicana de Estudos em Washington, DC, mas essa fama já vem de séculos : é dominicano ninguém menos que São Tomás de Aquino, um dos máximos nomes da filosofia e da teologia católica de todos os tempos. Além dele, são dominicanos o Papa São Pio V e São Jacinto e, no ramo leigo, Santa Catarina de Sena, Santa Rosa de Lima, São Martinho de Lima e o bem-aventurado Piergiorgio Frassati.

A família dominicana tem experimentado nos anos recentes um notável crescimento em seus ramos apostólicos e contemplativos.’


Fonte :


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

São Francisco de Assis

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


Oração da Paz
ou
Oração de São Francisco de Assis

         ‘Senhor : Fazei de mim um instrumento de vossa paz.
         Onde houver ódio, que eu leve o amor,
         Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
         Onde houver discórida, que eu leve a união.
         Onde houver dúvida, que eu leve a .
         Onde houver erro, que eu leve a verdade.
         Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
         Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
         Onde houver Trevas, que eu leve a luz!

         Ó Mestre,
         fazei que eu procure mais :  
         consolar, que ser consolado;
         compreender, que ser compreendido;
         amar, que ser amado.
         Pois é dando, que se recebe.  
         Perdoando, que se é perdoado e
         é morrendo, que se vive para a vida eterna! 
         Amém
Fonte :