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domingo, 30 de novembro de 2014

A Igreja em estado de Advento

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Dom Alberto Taveira Corrêa,
Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará


‘A Igreja realiza sua missão evangelizadora no tempo e no espaço que a Providência de Deus lhe concede. Compete a ela a busca contínua da fidelidade ao seu Senhor, pois a visibilidade dos sinais da graça de Deus lhe foi entregue, enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo. Seu Mistério Pascal de Morte e Ressurreição e o final dos tempos, quando virá para julgar os vivos e os mortos, são dois polos de tensão, com os quais buscamos a fidelidade ao Evangelho, praticando o amor a Deus e ao próximo, somos fermento de vida e esperança para o mundo e continuamos a anunciar o nome de Jesus Cristo, único e suficiente Salvador de todos os homens e mulheres que vierem a esta terra.

A sabedoria de Deus concedida à sua Igreja suscitou um caminho formativo amadurecido no correr dos séculos, o Ano Litúrgico, para manter viva esta tensão positiva, que gera testemunho de vida cristã e realização profunda para as pessoas. Tudo começou com o dia da Ressurreição, o Domingo, Páscoa semanal. A cada semana, tornar presente a Morte e a Ressurreição de Cristo, quando a Comunidade Cristã, reunida em torno da Palavra de Deus e da Mesa Eucarística, se edifica como Corpo de Cristo. À Eucaristia de Domingo os cristãos levam suas lutas e seus trabalhos, louvam ao Senhor e encontram o sustento para a fé, na vida quotidiana. As gerações que se sucederam começaram a celebrar anualmente a Páscoa do Senhor, hoje realizada de modo solene no que chamamos Tríduo Pascal, de quinta-feira santa ao cair da tarde até o Domingo de Páscoa, com seu ponto mais alto na grande Vigília Pascal. É Páscoa anual! Quando celebramos a Missa em qualquer tempo do ano, acontece a Páscoa diária. É o mesmo e único mistério de Cristo. Não fazemos teatro, mas realizamos a presença do Senhor, que entregou à Igreja a grande tarefa : ‘Fazei isto em memória de mim’ (1 Cor 11, 24-25).

Como é grande o Mistério, o Ano Litúrgico veio a se compor pouco a pouco, contemplando anualmente todos os grandes eventos de nossa Salvação, enriquecendo com abundância de textos bíblicos as grandes celebrações, valorizando as orações que foram compostas e expressam a vivência da fé, recolhendo nos diversos ritos a grandeza da vida que o Senhor oferece. O Ano da Igreja, que começa no Primeiro domingo do Advento, em 2014 celebrado no dia 30 de novembro, tem dois grandes ciclos, o do Natal e o da Páscoa, com os quais somos pedagogicamente conduzidos a aperfeiçoar a vida cristã, de forma que o Senhor nos encontre, a cada ano, não girando em torno de um mesmo eixo, mas crescidos, como uma espiral que aponta para a eternidade, enquanto clamamos ‘Vem, Senhor Jesus’!

E o Tempo do Advento, que agora iniciamos, é justamente marcado pela virtude da esperança, que somos chamados a testemunhar e oferecer ao nosso mundo cansado, pois só em Jesus Cristo, única esperança, encontrará seu sentido e realização a vida humana. A Igreja nos propõe quatro semanas de intensa vida de oração e de exercício das virtudes. O primeiro olhar é para a vinda definitiva do Senhor, que um dia virá ao nosso encontro, cercado de glória e esplendor. É hora de refletir sobre a relatividade das coisas e preparar-nos para o encontro pessoal com o Senhor, quando nos chamar à sua presença. Em seguida, durante duas semanas a Igreja nos faz olhar para o tempo presente de nossa fé. Ouvimos o convite à conversão, somos levados a arrumar a casa de nossa vida para a grande presença do Senhor. Aquele que um dia virá, vem a nós nos dias de hoje. Para ajudar-nos, a Igreja apresenta duas figuras, que podem ser chamadas de ‘padrinhos’ de Advento, o Profeta Isaías e São João Batista. Na última semana antes do Natal, aí, sim, nosso olhar se volta para Belém de Judá, Presépio, Pastores, Reis Magos. É a oportunidade para preparar a celebração do Natal. Quem nos toma pela mão na etapa final do Advento, para acompanhar os acontecimentos vividos em primeira pessoa, é a Virgem Santa Maria, Mãe de Deus e nossa. Daí a necessidade de corrigir com delicadeza nosso modo de viver este período. Maior do que o dia de Festa no Natal é a realidade do Senhor Jesus que virá, vem a nós e um dia veio! Torna-se vazia uma festa sem a presença daquele que é o coração da história humana, nosso Senhor Jesus Cristo.

Uma Igreja em estado de Advento é o que queremos oferecer-nos mutuamente e dar de presente ao nosso mundo. Estimulemos uns aos outros na vivência da esperança, certos da necessidade da redenção de Cristo, que nos diz ‘sem mim, nada podeis fazer’ (Jo 15, 5). Cresça nossa abertura, cheia de esperança, a Cristo e à sua Palavra Salvadora. Caiam todos os obstáculos e defesas, venha a graça da fidelidade ao Senhor. E a vida cristã não tenha receio de olhar para a eternidade, onde Cristo está sentado, à direita do Pai (Cf. Ef 1, 20-23). Temos uma eternidade inteira para viver na Comunhão com a Santíssima Trindade, os Anjos e os Santos. É nossa vocação e nosso ponto de chegada. Com esta luz, os cristãos são chamados a serem homens e mulheres capazes de iluminar com a esperança todos os recantos da humanidade. A graça da vocação cristã nos faça responsáveis pelo anúncio do Evangelho e pela salvação dos outros (Cf. Rm 8, 29). Ninguém fique desanimado, desde que encontre um cristão autêntico, mesmo que este saiba ser limitado, tantas vezes frágil e marcado pelo pecado, mas nunca derrotado.

As pessoas que tiverem contato com os cristãos neste período, descubram-nos rezando mais e rezando melhor. As Novenas de Natal, celebradas em grupos de famílias, são um excelente testemunho de vida de oração. Seja uma oração cheia de humildade, sinceridade, abertura maior para Deus e obediência às suas promessas.

E como falamos de esperança, temos o direito e o dever de sonhar com um mundo mais justo e fraterno. Queremos antecipá-lo, em estado de Advento, na experiência da caridade e da partilha dos bens. Em nossa Arquidiocese de Belém, realizamos durante o Advento o projeto ‘Belém, Casa do Pão’. Cresce a cada ano, ao lado do compromisso de nossas Paróquias, a adesão da sociedade ao nosso modo de comprometer as pessoas com a partilha dos bens, realizando a vocação que se encontra em nosso nome, Belém!


Fontes :
* Artigo na íntegra de http://www.basilicadenazare.com.br/noticias/view/1588/a_igreja_em_estado_de_advento_por_dom_alberto_taveira_correa
  

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O sentido do ano litúrgico (Capítulo 3 de 5)



O Ciclo da Páscoa

Inicialmente, a páscoa cristã era celebrada todo domingo e não havia uma grande celebração anual como conhecemos hoje, o nosso feriado de páscoa. Somente no séc. II um dos domingos do ano destacava-se por ser uma celebração especial da morte e ressurreição de Jesus. Tudo começava na noite de sábado, uma vigília onde se lia as passagens mais importantes do antigo e do novo testamento, inclusive o relato da paixão e ressurreição. Na manhã de domingo, celebravam e Eucaristia, a ação de graças por todas as maravilhas de Deus.

Hoje vivemos o ciclo pascal completo, enriquecido com a Quaresma como tempo de preparação, e o Tempo Pascal como seu prolongamento.

Os 40 dias do tempo Quaresmal era a ultima fase de preparação dos catecúmenos (cristãos aspirantes) para a celebração de seu batismo na vigília pascal. Os já batizados acompanhavam essa caminhada pela oração e pela penitência, e assim se preparavam para a renovação das promessas do seu batismo. É importante lembrar que a Igreja mantém este costume nos dias de hoje.

A Páscoa anual foi ampliada aos poucos, finalmente chegamos aos 50 dias e seu encerramento na celebração de Pentecostes. O Tríduo Pascal (quinta, sexta e sábado) é como uma grande "missa" que percorre os 3 dias. Como é possível perceber, não ocorre o encerramento comum das missas (a benção final, por exemplo) na liturgia da quinta e da sexta, portanto o tríduo termina somente com a celebração da Vigília Pascal.

Calendário do Ciclo Pascal

40 dias de preparação (Quaresma)
Início: Quarta-feira de cinzas

Na Semana Santa:
Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

Quinta-feira Santa
Missa do Crisma -Matinal, presidida pelo arcebispo
(Missa da benção dos óleos e consagração do crisma)

Missa Vespertina da Ceia do Senhor -Início do chamado Tríduo Pascal
(Missa do lava-pés)

Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor
(Adoração da Cruz)

Sábado Santo
(Solene Início da Vigília ou Celebração da Luz)

Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor
-Oitava da Páscoa (oito dias de comemoração, chamado antigamente de UM grande dia de festa)

50 dias de prolongamento (Tempo Pascal)

Ascensão do Senhor (40 dias após a Páscoa. No Brasil por não ser feriado, é transferido para o domingo seguinte)

Domingo de Pentecostes
(Envio do Espírito Santo, fim do Tempo Pascal)

Você sabia?

A páscoa se celebra sempre no domingo depois da primeira lua cheia da primavera, no hemisfério norte; no Brasil, como em todo o hemisfério sul, no início do outono.
A festa dos santos está intimamente ligada a páscoa. No séc. II surgiram as primeiras festas dos mártires no dia do aniversário de sua morte. Essa festa celebrava-se, desde sempre, na Eucaristia. De fato, como os mártires estavam unidos ao Senhor  na vida, na morte e também na glória, era só coerente celebrar sua morte e gloria, quer dizer sua páscoa, junto com a páscoa do Senhor. (Pe. Gregório Lutz)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O sentido do ano litúrgico (Capítulo 2 de 5)

Por Thierry Esteves

O Domingo

O primeiro dia da semana, ou o dia do Senhor como é chamado no livro do Apocalipse (Ap 1, 10), desde os tempos apostólicos tem um valor especial.

Neste dia Jesus  ressucitou e apareceu às mulheres (cf. Mt 28, 9-10);
à Maria Madalena (Jo 20,11-18);
aos apóstolos duas vezes (Jo 20, 11-18 e Jo 20, 24-29);
aos discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35);
e enviou o Espírito Santo (At 2, 1-21).

Motivo para que os membros do corpo de Cristo, a sua Igreja, se reunisse a cada oitavo dia, para lembrarem e celebrarem a vida, morte e ressurreição de Jesus e também era o dia consagrado para celebrarem a ceia do Senhor.

No Novo Testamento não há indícios de haver outras festas celebradas no decorrer do ano, apenas as reuniões dominicais, 52 domingos em um ano, em cada um deles uma celebração da Páscoa do Senhor.

Você sabia?

O nome "domingo" provem do latim "dies dominica", e significa "dia do Senhor". O domingo também é chamado de: "Primeiro dia"  (o dia da criação, criação da luz como relata Gênesis); "dia da ressurreição" (Usado a partir de Tertuliano no séc. III, comum nas línguas orientais e eslavas); "dia do Sol" (comum nas línguas germânicas, como o inglês "sunday"); "dia de descanso" (a partir do séc. IV, quando o imperador romano e seu império tornaram-se cristãos).

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O sentido do ano litúrgico (Capítulo 1 de 5)

Por Thierry Esteves

"A santa mãe Igreja considera seu dever celebrar, em determinados dias do ano, a memória sagrada da obra de salvação do seu divino Esposo. [...] Com esta recordação dos mistérios da Redenção, a Igreja oferece aos fiéis as riquezas das obras e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar como que presentes a todo o tempo, para que os fiéis, em contato com eles, se encham de graça". (Sacrosanctum Concilium, 102)

Este pequeno texto da constituição conciliar apresenta o sentido da palavra Liturgia para nós, Católicos Romanos e, principalmente nos revela a sua valorosa eficácia. Tomar parte na "obra de Deus", celebrar a liturgia  em comunidade, é viver os mistérios pascais, consagrando em todo o tempo a nossa vida ao Cristo Senhor, pois "Ele está presente em sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas" (SC, 7).

A Eucaristia, de modo especial nos faz viver a cada dia a experiência fundante da nossa salvação. Celebrar a memória da morte e ressurreição de Cristo por meio de uma refeição não é somente recordar um fato histórico, mais do que isso, é viver novamente este momento, é atualizar a entrega de Jesus.

Os ciclos do ano enriquecem ainda mais a vida litúrgica do fiel cristão. Na missa, por meio das leituras, cantos e orações; na Liturgia das Horas, pelas antífonas, salmos e leituras acompanhamos no decorrer do ano, outros aspectos importantes da obra da salvação. Em breve postarei um pequeno estudo sobre cada clico do ano litúrgico. Primeiramente uma explicação sobre o domingo, e seguiremos com o ciclo do Natal, ciclo da Páscoa e o ciclo "Per Annum", conhecido como tempo comum.