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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Santa Inês, Virgem e Mártir

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


Sofreu o martírio em Roma na segunda metade do século III ou, mais provavelmente, no início do século IV. O papa São Dâmaso adornou o seu sepulcro com versos, e muitos Santos Padres, seguindo Santo Ambrósio, celebraram seus louvores.


A Liturgia das Horas e a reflexão no dia de Santa Inês (Agnes) :

Ofício das Leituras

Segunda leitura
Do Tratado sobre as Virgens, de Santo Ambrósio, bispo

(Lib. 1, cap. 2.5.7-9:PL 16, [edit. 1845], 189-191)      (Séc.IV)


Ainda não preparada para o sofrimento
e já madura para a vitória!
     Celebramos o natalício de uma virgem: imitemos sua integridade; é o natalício de uma mártir: ofereçamos sacrifícios. É o aniversário de Santa Inês. Conta-se que sofreu o martírio com a idade de doze anos. Quanto mais detestável foi a crueldade que não poupou sequer tão tenra idade, tanto maior é a força da fé que até naquela idade encontrou testemunho.

Haveria naquele corpo tão pequeno lugar para uma ferida? Mas aquela que quase não tinha tamanho para receber o golpe da espada, teve força para vencer a espada. E isto numa idade em que as meninas não suportam sequer ver o rosto zangado dos pais e choram como se uma picada de alfinete fosse uma ferida!

Mas ela permaneceu impávida entre as mãos ensanguentadas dos carrascos, imóvel perante o arrastar estridente dos pesados grilhões. Oferece o corpo à espada do soldado enfurecido, sem saber o que é a morte, mas pronta para ela. Levada à força até os altares dos ídolos, estende as mãos para Cristo no meio do fogo, e nestas chamas sacrílegas mostra o troféu do Senhor vitorioso. Finalmente, tendo que introduzir o pescoço e ambas as mãos nas algemas de fero, nenhum elo era suficientemente apertado para segurar membros tão pequeninos.

Novo gênero de martírio? Ainda não preparada para o sofrimento e já madura para a vitória! Mal sabia lutar e facilmente triunfa! Dá uma lição de firmeza apesar de tão pouca idade! Uma recém-casada não se apresaria para o leito nupcial com aquela alegria com que esta virgem correu para o lugar do suplício, levando a cabeça enfeitada não de belas tranças mas de Cristo, e coroada não de flores mas de virtudes.

Todos choram, menos ela. Muitos se admiram de vê-la entregar tão generosamente a vida que ainda não começara a gozar, como se já tivesse vivido plenamente. Todos ficam espantados que já se levante como testemunha de Deus quem, por causa da idade, não podia ainda dar testemunho de si. Afinal, aquela que não mereceria crédito se testemunhasse a respeito de um homem, conseguiu que lhe dessem crédito ao testemunhar acerca de Deus. Pois o que está acima da natureza, pode fazê-lo o Autor da natureza.

Quantas ameaças não terá feito o carrasco para incutir-lhe terror! Quantas seduções para persuadi-la! Quantas propostas para casar com algum deles! Mas sua resposta foi esta: “É uma injúria ao Esposo esperar por outro que me agrade. Aquele que primeiro me escolheu para si, esse é que me receberá. Por que demoras, carrasco? Pereça este corpo que pode ser amado por quem não quero!” Ficou de pé, rezou, inclinou a cabeça.

Terias podido ver o carrasco perturbar-se, como se fosse ele o condenado, tremer a mão que desfecharia o golpe, e empalidecerem os rostos temerosos do perigo alheio, enquanto a menina não temia o próprio perigo. Tendes, pois, numa única vítima um duplo martírio: o da castidade e o da fé. Inês permaneceu virgem e alcançou o martírio.



Fonte :
‘In Liturgia das Horas III’, pg. 1197, 1198

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Nossa Senhora de Guadalupe - Padroeira da América Latina

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)


Segundo arraigada tradição, a imagem da Virgem de Guadalupe apareceu impressa na manta do índio Juan Diego, em 1531, na cidade do México. Por isso permaneceu alguns dias na capela episcopal do Bispo Dom Frei Juan de Zumárraga e depois na Sé. Em 26 de Dezembro do mesmo ano foi solenemente levada para uma ermida aos pés do cerro de Tepeyac. Seu culto propagou-se rapidamente muito contribuindo para a difusão da fé entre os indígenas. Após a construção sucessiva de três templos ao pé do mesmo cerro, edificou-se o atual, concluído em 1709 e elevado à categoria de Basílica por São Pio X em 1904. 

Em 1754 Bento XIV confirmou o patrocínio da Virgem de Guadalupe sobre toda a Nova Espanha (Do Arizona até a Costa Rica) e concedeu a primeira Missa e Ofício próprios. Porto Rico proclamou-a sua Padroeira em 1758. Em 12 de Outubro de 1892 houve a coroação pontifícia da imagem, concedida por Leão XIII, que no ano anterior aprovara um novo Ofício próprio. Em 1910 São Pio X proclamou-a Padroeira da América Latina; em 1935, Pio XI designou-a Padroeira das Ilhas Filipinas; e em 1945 Pio XII deu-lhe o título de “Imperatriz da América”.  

A veneração da Virgem de Guadalupe, solícita a prestar auxílio e proteção em todas as tribulações, desperta no povo grande confiança filial; constitui, além disso, um estímulo à prática da caridade cristã, ao demonstrar a predileção de Maria pelos humildes e necessitados, bem como sua disposição em assisti-los.
 

A Liturgia da Horas e a reflexão no dia de Nossa Senhora de Guadalupe :  
 
 
Ofício das Leituras
 

Segunda leitura
Do "Nicán Mopohua", relato do escritor indígena do
século dezesseis Dom Antônio Valeriano 
("Nican Mopohua", 12ª edición, Buena Prensa,
México, D.F., 1971, p. 3-19.21)    (Séc. XVI)
 
 
A voz da rola se escuta em nossa terra
Num sábado de mil e quinhentos e trinta e um, perto do mês de dezembro, um índio de nome Juan Diego, mal raiava a madrugada, ia do seu povoado a Tlatelolco, para participar do culto divino e escutar os mandamentos de Deus. Já amanhecia, quando chegou ao cerrito chamado Tepeyac e escutou que do alto o chamavam:

- Juanito! Juan Dieguito! 

Subiu até o cimo e viu uma senhora de sobre-humana grandeza, cujo vestido brilhava como o sol, e que, com voz muito branda e suave, lhe disse:

- Juanito, menor dos meus filhos, fica sabendo que sou Maria sempre Virgem, Mãe do verdadeiro Deus, por quem vivemos. Desejo muito que se erga aqui um templo para mim, onde mostrarei e prodigalizarei todo o meu amor, compaixão, auxílio e proteção a todos os moradores desta terra e também a outros devotos que me invoquem confiantes. Vai ao Bispo do México e manifesta-lhe o que tanto desejo. Vai e põe nisto todo o teu empenho.  

Chegando Juan Diego à presença do Bispo Dom Frei Juan de Zumárraga, frade de São Francisco, este pareceu não dar crédito e respondeu:

- Vem outro dia, e te ouvirei com mais calma.  

Juan Diego voltou ao cimo do cerro, onde a Senhora do céu o esperava, e lhe disse:

- Senhora, menorzinha de minhas filhas, minha menina, expus a tua mensagem ao Bispo, mas parece que não acreditou. Assim, rogo-te que encarregues alguém mais importante de levar tua mensagem com mais crédito, porque não passo de um joão-ninguém. 

Ela respondeu-lhe:

- Menor dos meus filhos, rogo-te encarecidamente que tornes a procurar o Bispo amanhã dizendo-lhe que eu própria, Maria sempre Virgem, Mãe de Deus, é que te envio. 

Porém no dia seguinte, domingo, o Bispo de novo não lhe deu crédito e disse ser Indispensável algum sinal para poder-se acreditar que era Nossa Senhora mesma que o enviara. E o despediu sem mais aquela.  

Segunda-feira, Juan Diego não voltou. Seu tio Juan Bernardino adoecera gravemente e à noite pediu-lhe que fosse a Tlatelolco de madrugada, para chamar um sacerdote que o ouvisse em confissão.  

Juan Diego saiu na terça-feira, contornando o cerro e passando pelo outro lado, em direção ao Oriente, para chegar logo à Cidade do México, a fim de que Nossa Senhora não o detivesse. Porém ela veio a seu encontro e lhe disse:

- Ouve e entende bem uma coisa, tu que és o menorzinho dos meus filhos: o que agora te assusta e aflige não é nada. Não se perturbe o teu coração nem te inquiete coisa alguma. Não estou aqui, eu, tua mãe? Não estás sob a minha sombra? Não estás porventura sob a minha proteção? Não te aflija a doença do teu tio. Fica sabendo que ele já sarou. Sobe agora, meu filho, ao cimo do cerro, onde acharás um punhado de flores que deves colher e trazer-mo.  

Quando Juan Diego chegou ao cimo, ficou assombrado com a quantidade de belas rosas de Castela que ali haviam brotado em pleno inverno; envolvendo-as em sua manta, levou-as para Nossa Senhora. Ela lhe disse:

- Meu filho, eis a prova, o sinal que apresentarás ao Bispo, para que nele veja a minha vontade. Tu é o meu embaixador, digno de toda a confiança.  

Juan Diego pôs-se a caminho, agora contente e confiante em sair-se bem de sua missão. Ao chegar à presença do Bispo, lhe disse:

- Senhor, fiz o que me ordenaste. Nossa senhora consentiu em atender o teu pedido. Despachou-me ao cimo do cerro, para colher ali várias rosas de Castela, trazê-las a ti, entregando-as pessoalmente. Assim o faço, para que reconheças o sinal que pediste e assim cumpras a sua vontade. Ei-las aqui: recebe-as. 

Desdobrou em seguida a sua branca manta. À medida em que as várias rosas de Castela espalhavam-se pelo chão desenhava-se no pano e aparecia de repente a preciosa imagem de Maria sempre Virgem, Mãe de Deus, como até hoje se conserva no seu templo de Tepeyac. 

A cidade inteira, em tumulto, vinha ver e admirar a sua santa imagem e dirigir-lhe suas preces. Obedecendo à ordem que a própria Nossa Senhora dera ao tio Juan Bernardino, quando devolveu-lhe a saúde, ficou sendo chamada como ela queria: "Santa Maria sempre Virgem de Guadalupe".
  

 Fonte :
‘In Liturgia das Horas I’, pg. 1054 a 1061

 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Santos e Imaculados

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

 
* Artigo de Dom Alberto Taveira Corrêa,
Arcebispo de Belém do Pará, reflete sobre a criação e
o caminho para sermos santos e imaculados

‘"Em Cristo, Deus nos escolheu, antes da fundação do mundo, para sermos santos e imaculados diante dele, no amor" (Ef 1, 4). Na criação do mundo, descrita com traços de artista pelo Livro do Gênesis (Cf. Gn 1-3), a humanidade e todo o universo foram pensados como comunhão plena entre Deus e toda a sua obra. Não fomos feitos para a perdição, mas para a felicidade. No final de sua obra, Deus é visto pelo autor sagrado como alguém que se sente contente com o que foi realizado: "E Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom. Houve uma tarde e uma manhã: o sexto dia" (Gn 1, 31). 
A promessa feita após o pecado de nossos primeiros pais - "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”(Gn 3, 15) - realizou-se no plano eterno de salvação, quando o Verbo de Deus se fez carne no ventre da Virgem Maria, escolhida dentre todas as mulheres, vista com amor infinito pelo Pai do Céu, que a preservou de toda mancha do pecado, aquela que foi saudada com expressões inusitadas:“Alegra-te, cheia de graça! ­ O Senhor está contigo” (Lc 1,28). Ao celebrá-la como Imaculada, a Igreja propõe a todos os cristãos um sinal precioso, exemplo maravilhoso do projeto de Deus realizado. 
Ser preservada da mancha do pecado original não isentou a Virgem Maria de todas as realidades humanas, vividas de forma excepcional, mas, de verdade, humanas! Nós a vemos solícita na caridade, a perfeição maior da humanidade, indo à casa de Isabel para servir. Em Nazaré, durante os anos da vida oculta de Jesus, conhecido apenas como filho do Carpinteiro, é a mulher da escuta, guardando todos os acontecimentos e meditando-os em seu coração. Em Caná, perfeição tem nome de atenção e solicitude. Na vida pública de Jesus, aquela que buscou viver a Palavra de Deus e se apaixonou pela sua vontade não faz outra coisa senão agradar a Deus. Aos pés da Cruz, quando uma espada de dor traspassou sua alma, acolhe com inteireza a realização de sua missão. Só então, percorridas todas as etapas anteriores, a Imaculada estará em oração, com os discípulos de seu Filho, aguardando a vinda do Espírito Santo, cuja força conduz a Igreja pelos caminhos da história. 
Ousamos propor um caminho para sermos santos e imaculados, aos olhos de Deus, no amor! É uma estrada (ascese, subida!) para a perfeição, olhando para Maria, já que Deus no-la oferece para descobrirmos como todos nós fomos pensados! 
Comecemos pelo discernimento, ao identificar, no meio de tantas outras vozes, aquela que vem de Deus e nos oferece uma missão. Quem descobre seu lugar e estabelece metas com clareza, poderá enfrentar melhor os obstáculos. Trata-se de apurar o ouvido, com a ajuda preciosa do Espírito Santo de Deus que conduz todas as pessoas que se exercitam na estrada da docilidade. Maria, a Virgem da Escuta, Imaculada em Nazaré, bendita entre as mulheres, será sempre a referência perfeita para quem quer percorrer esta estrada. 
Perfeição na caridade é a segunda proposta. Não se trata de perfeccionismo, mas muito mais de abertura para aproveitar todas as oportunidades e fazer sempre o bem. Afinal, sabemos que "a caridade cobre uma multidão de pecados" (1 Pd 4,8). Dar o primeiro passo para amar e servir é estrada infalível para a perfeição do amor, o caminho da Imaculada! 
Trabalhar, correr de um lado para outro, encontrar-se com as pessoas, buscar água na fonte, preparar os alimentos, cuidar da casa... Maria, a Imaculada, foi discípula do próprio Filho. O dia a dia bem vivido, tirando todas as lições dos acontecimentos, é outra indicação a ser acolhida. Não se trata tanto de fazer grandes coisas, mas realizar com grandeza de alma todos os passos de cada jornada, sabendo que a cada dia basta o seu cuidado (Cf. Mt 6, 34). A atenção a cada pessoa que passa por nós será exercício de equilíbrio e autocontrole, jeito próprio de Maria para viver, caminho de imaculatização. 
A Virgem de Caná é a Imaculada que nos conduz ao que é essencial: “Fazei tudo o que ele vos disser (Jo 2, 15)!” A vida se torna milagre e o pecado é vencido quando somos capazes de renunciar a nós mesmos e acolher a receita dada por aquela que a oração da Igreja chama de "Sede da Sabedoria". Não é suficiente viver, mas necessário saber viver, descobrindo, na escuta da Palavra de Jesus, a estrada para que tudo se transforme. A aparente falta de graça do cotidiano é preenchida quando os potes são apresentados a Jesus. Dá para oferecer-lhe tudo, sem medo ou receio! 
Diante do sofrimento de qualquer ordem que se apresente, há também uma estrada mestra a ser percorrida. Não imaginar que alguém será dele preservado, mas transformar cada dor, por menor que seja, em amor a Deus e ao próximo. A inteireza de pessoas maduras, diante da enfermidade ou das crises diversas que a vida oferece, sem fatalismos, é prova de que está em processo um caminho de perfeição, malgrado todos os limites pessoais. Aos pés da Cruz, a Virgem Imaculada é a mulher de personalidade sólida e madura diante dos desafios. 
A Virgem Imaculada chegou ao Cenáculo, perseverou em oração com os discípulos (At 1, 14), deixou-se envolver mais uma vez pelo dom do Espírito Santo que a tinha coberto com sua sombra (Cf. Lc 1, 35). Aquele que é perfeito e a criou entregou-a à Igreja, Mãe e companheira, figura e modelo da própria Igreja, para ser sinal da vitória sobre o mal e o pecado, até o fim dos tempos, ajudando os cristãos a prepararem a vinda do Senhor: "Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas" (Ap 12, 1). A Imaculada e a Igreja! Que graça imensa participar de tal caminho de perfeição. "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós"!’ 
Fonte :