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domingo, 30 de novembro de 2014

Santo André, Apóstolo

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

  
Primeiro a ser chamado, primeiro a testemunhar

‘André foi o primeiro a ser chamado, portanto, o Protóclito (protos = primeiro + klitos = chamar). Recordemos como se deu este chamado : estava ele e seu irmão Cefas pela segunda vez na região do Jordão onde João Batista batizava, este exclamou : ‘Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’ (Jo 1,29). Eis aquele que liberta da morte; eis aquele que destrói o pecado. Eu sou enviado, não como o esposo, mas como quem O acompanha (Jo 3,29). Vim como servo e não como mestre.

Ouvindo estas palavras deixaram de seguir João Batista para acompanhar o próprio Cristo.

Jesus, voltando-se para trás e vendo que o seguiam, disse-lhes : ‘Que buscais?’ Eles disseram : ‘Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?’ Disse-lhes Jesus : ‘vinde e vede’. Foram, pois, e viram onde habitava e permaneceram lá aquele dia. Era quase a hora décima.

Ora, André tinha um irmão chamado Simão e disse-lhe : ‘Nós encontramos o Messias, que é o Cristo’. E levou-o a Jesus, que olhando-o disse : ‘Tu és Simão, filho de Jonas, doravante chamar-te-ás Pedro’.

Este é, segundo a narrativa de São João, o primeiro encontro de André com Jesus.

André e Pedro, contudo, não ficaram definitivamente com o Divino Mestre, mas voltaram às suas ocupações de pescadores. Dias depois, Jesus, passando pela praia do Lago de Tiberíades, pelas bandas de Cafarnaum, tendo-os encontrado quando lavavam as redes, disse-lhes : ‘Segui-me, e eu vos farei pescadores de homens’. Eles, deixando imediatamente as redes, O seguiram (Mt 4,18). Com estas palavras, deu-se o chamamento oficial de André como apóstolo junto com seu irmão Pedro.

Nos catálogos oficiais que os evangelistas dão dos doze apóstolos, André ocupa sempre o segundo lugar, depois do irmão Pedro. Poucas menções expressas nos deixaram o Evangelho deste apóstolo durante os três anos do seguimento a Cristo. A primeira deu-se por ocasião da multiplicação dos pães e peixes.

Quando Jesus interpelou Filipe sobre a possibilidade de dar de comer a toda aquela multidão, André interveio, dizendo : ‘Está aqui um menino que tem cinco pães e dois peixes; mas que é isto para tanta gente?’ Jo 6, 9).

Uma segunda intervenção de André deu-se nos últimos dias da vida do Mestre. Havia alguns gentios que desejavam ver Jesus de perto e se aproximaram de Filipe, dizendo : ‘Senhor, desejamos ver Jesus’. Filipe foi dizer a André : e ambos disseram-no a Jesus.

Diz a Tradição que, por ocasião da partida dos apóstolos para levar o Evangelho pelo mundo, André viajou para a região dos mares Cáspio e Negro. Por último, fundou a igreja em Patras, na Acaia, que foi uma das mais florescentes dos tempos apostólicos. Esta mesma fonte afirma ter Santo André morrido crucificado em Patras, na Acaia, no dia trinta de novembro. A ele está relacionada a Cruz de Santo André em forma de X. Ao vê-la, antes do suplício, teria dito o apóstolo :

Salve Santa Cruz, tão desejada, tira-me do meio dos homens e entrega-me ao meu Mestre; de ti receba O que por ti me salvou!

Todos se admiravam da coragem e da alegria que se estampava no rosto do apóstolo mártir, quando se entregou aos algozes fixado à cruz, permanecendo dois dias nesta posição, orando, aconselhando e orientando aos seus. Uma piedosa mulher de nome Maximila retirou da cruz o corpo do apóstolo sepultando-o com muita honra.

Depois das perseguições romanas, as relíquias do Santo foram transportadas para Constantinopla e, pelo ano 1460, transferidas para Amalfi e Roma. Mais recentemente, o Papa Paulo VI, desejando simbolizar a união de fraternidade com a Igreja Ortodoxa, devolveu as relíquias de Santo André à Igreja de Constantinopla.


Fontes :
* Artigo na íntegra de http://www.diocesesantoandre.org.br/newsite/?page_id=6588

Konings, J – ‘Espírito e Mensagem da Liturgia Dominical’ – Ed. Vozes, 1986.
Carvajal, Francisco F, ‘Falar com Deus’ – Ed. Quadrante, 1993. 
Donadeo, Madre Maria, ‘O Ano Litúrgico Bizantino’ – Ed. Ave Maria.


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Santo André, Apóstolo

Por Maria Vanda (Ir. Maria Silvia, Obl. OSB)

 
A Liturgia da Horas e a reflexão no dia de Santo André : 
 
 Ofício das Leituras
 
Segunda leitura
Das Homilias sobre o Evangelho de João, de São João Crisóstomo, bispo
(Hom. 19,1: PG 59,120-121)   (Séc.IV)
  
Encontramos o Messias
André, tendo permanecido com Jesus e aprendido com ele muitas coisas, não escondeu o tesouro só para si mas correu depressa à procura de seu irmão, para fazê-lo participar da sua descoberta. Repara o que lhe disse: Encontramos o Messias (que quer dizer Cristo) (Jo 1,41). Vede como logo revela o que aprendera em pouco tempo! Demonstra assim o valor do Mestre que o persuadira, bem como a aplicação e o zelo daqueles que, desde o princípio, já estavam atentos. Esta expressão, com efeito, é de quem deseja intensamente a sua vinda, espera aquele que deveria vir do céu, exulta de alegria quando ele se manifestou, e se apresa em comunicar aos outros a grande notícia.

Repara também a docilidade e a prontidão de espírito de Pedro. Acorre imediatamente. E conduziu-o a Jesus (Jo 1,42), afirma o Evangelho. Mas ninguém condene a facilidade com que, não sem muita reflexão, aceitou a notícia. É provável que o irmão lhe tenha falado pormenorizadamente mais coisas. Na verdade, os evangelistas sempre narram muitas coisas resumidamente, por razões de brevidade. Aliás, não afirma que acreditou logo, mas: E conduziu-o a Jesus (Jo 1,42), e a ele o confiou para que aprendesse com Jesus todas as coisas. Estava ali, também, outro discípulo que viera com os mesmos sentimentos.  

Se João Batista, quando afirma: Eis o Cordeiro e batiza no Espírito Santo (cf. Jo 1,29.33), deixou mais clara, sobre esta questão, a doutrina que seria dada pelo Cristo, muito mais fez André. Pois, não se julgando capaz de explicar tudo, conduziu o irmão à própria fonte da luz, tão contente e pressuroso, que não duvidou sequer um momento. 

 
Fonte :
‘In Liturgia das Horas IV’, pg. 1481 a 1482